Cinquenta dias sem ver o Internacional jogar. Alguns até podem dizer que isso foi bom, mas eu não sou dessa linha: estava morrendo de saudade.
Nesse interim, emergiu pouca coisa no noticiário colorado: trouxemos um zagueiro e um goleiro. Centroavante ficou pra história, assim como o tal meia Calebe, que o Globoesporte chegou a confirmar, mas não foi apresentado.
Ambos, goleiro e zagueiro, são posições que o Internacional estava muito carente, e que bom que vieram reforços. A questão de que são afirmados ou não, sinceramente, nessa altura do campeonato já não me importa muito. Nos últimos anos, celebramos os afirmados que chegavam, como o Valencia, e não demos bola pra jogadores que vieram escanteados, como o Wesley, e o custo-benefício foi exatamente o oposto entre os dois. Então é esperar pra ver.
A notícia que mais me impactou nesse período foi a revelação do resultado da consultoria da Alvarez & Marsal para o Internacional: o plano deles é que o clube, a curto prazo, altere sua governança para ter menos interferência política e peça recuperação judicial na sequência. No geral, as sugestões me parecem meio “qualquer coisa no power point”.
Mas uma informação que parece independer das intenções gerenciais da consultoria ligou uma luz amarela na minha cabeça: de acordo com eles, o Internacional precisa de “uma capitalização de 200 milhões de reais extra até o final de 2027 para conseguir honrar minimamente seus compromissos financeiros”. Bom, se é “só” isso que precisa, uma receita de 200 milhões extra, pra honrar minimamente os compromissos, podem ter certeza que estamos numa situação impossível.
E a diretoria descarta a possibilidade da recuperação judicial. De onde virá o aporte de 200 milhões? Não parece ter solução encaminhada para essa questão. É um dinheiro de premiação de título, de vender o elenco inteiro, de fazer algum milagre. E o Internacional, apesar de ter feito um milagre em campo no ano passado, não parece ser capaz de fazer isso fora de campo, ano que vem, do nada.
Talvez não seja o clima mais gostoso para desejar uma boa volta para nós, mas isso precisa ser dito. Vai ser feito o que do Internacional, se a roda parar de girar? Como eu tinha dito numa coluna passada, o capital de giro infinito, garantido pelos mecenas, não existe mais, porque são valores altos demais.
Podemos até pensarmos no Brasileiro desse ano, no elenco dessa temporada, mas ali na frente está o nosso grande problema. Precisamos encará-lo.