Nem sempre quando a gente perde, no final a gente ganha.
Na maioria das vezes, quando a gente perde, perde mesmo. Mas quinta-feira foi uma dessas raras exceções. Perdemos o jogo e ganhamos o confronto. É um tipo de contabilidade que só o futebol permite.
Por isso, merecemos comemorar.
Eu torcia muito por essa classificação. Pela Copa do Brasil. Pelo prêmio. Pela possibilidade de disputar um título. Porque vencer é sempre bom e superar um desafio é melhor ainda.
Mas, principalmente, porque era o Corinthians.
Contra o Corinthians, nunca existe um jogo qualquer. Há uma história inteira sentada na arquibancada. Há 2005. Há 2009. Há 2020. Há lembranças que o tempo diminui, mas não consegue apagar.
No Beira-Rio, o Inter fez aquilo que precisava fazer. Jogou com seriedade, competitividade e coragem. Matheus Bahia abriu o placar. Alan Patrick marcou o segundo com a tranquilidade de quem já sabia onde aquela história terminaria.
Dois a zero.
Em Itaquera, veio a luta.
Não vou contar a história dos jogos. A maioria viu e quem não viu ficou sabendo como foi. Também não pretendo transformar uma classificação em boletim esportivo. O resultado já está registrado: três a dois no placar agregado, quatro milhões de reais no caixa e o campeão da Copa do Brasil do ano passado indo para casa mais cedo.
O que me interessa é aquilo que o placar não registra.
O Inter conseguiu atravessar a pressão. Sofreu, quase nos matou do coração, viu a bola bater na trave e permaneceu vivo. Não foi perfeito. Não foi tranquilo. Não foi bonito o tempo inteiro.
Foi classificação.
E, em um ano como este, não cabe interrogar demais a felicidade quando ela finalmente aparece.
Os quatro milhões são importantes. Quem acompanha as finanças do clube sabe que esse dinheiro não é luxo. É oxigênio. A vaga nas quartas também mantém aberta a possibilidade de disputar um título, e possibilidade é uma palavra que anda fazendo falta no nosso vocabulário.
Mas existe algo maior.
O Internacional venceu um desafio.
Vencer e superar não são exatamente a mesma coisa. Vencer é resultado. Superar exige que se atravesse alguma coisa. O adversário, o estádio, a pressão, a memória e aquele instante em que a bola encontra a trave e toda a nossa vida colorada passa diante dos olhos.
O Brasileirão continua ali, esperando. Os problemas não desapareceram. Ainda temos pontos para conquistar, futebol para melhorar e contas para fazer.
Não estamos salvos.
Estamos vivos.
E há uma diferença enorme entre as duas coisas.
Segunda-feira voltamos para as planilhas, para as projeções e para a matemática dos 45 pontos. Voltamos a discutir o time, o treinador e o próximo jogo.
Hoje, não.
Hoje tem vaga nas quartas.
Tem quatro milhões no caixa.
Tem o campeão eliminado.
Hoje é dia de glória.
A luta espera.
