Eu chorei. Confesso que chorei.
Não o choro dos fracos. Mas o choro daqueles que aprenderam que homens não choram. Homens não demonstram suas fraquezas. Apenas ruminam em silêncio suas dores. O choro do silêncio, do álcool, do olhar perdido. Apenas isso.
Nunca fui fã de Neymar. Não por não acreditar em seu talento, mas por ser impelido a duvidar para poder acreditar no escudo que venero. Essa proteção, a dúvida, sempre persistiu e foi carregada para a camisa da Seleção. Não que eu duvidasse do talento, da ousadia e da alegria. Mas porque, como todo potencial jogador da Seleção Brasileira que cada brasileiro é, tornei-me um ser frustrado e direcionei minhas frustrações aos favoritos de Deus que carregam o talento que lhes foi negado.
Neymar, para mim, é sempre aquele menino que o Rodrigo Moledo ainda está tentando alcançar até hoje numa arrancada que se converteu em gol. Aquele que um elevador sem a manutenção em dia transformou em manchete de jornal após vencer o meu INTER.
Neymar, para mim, ainda é o menino Ney. Talvez como uma negação da passagem do tempo, tanto para mim quanto para ele. Nego-me a aceitar o adulto Ney! Nego-me, mais ainda, a negar que Deus, dentre todos os seus privilegiados, tenha lhe negado ficar eternizado nas glórias que nós, como bobos seculares, acreditamos serem eternas.
Pelé te abençoou, Neymar! Pelé! Aquele que fez o futebol famoso! Aquele que fez com que todos os que vieram depois dele ficassem famosos por causa do futebol. Todos seriam o novo Pelé ou maiores do que Pelé.
Quem sou eu perto do Rei? Quem sou eu, capaz de transformar um esporte em um antes e depois da própria existência? Quem sou eu perto de quem é capaz de resumir os melhores de um esporte em melhores ou piores do que a minha trajetória? Ninguém!
Mas é um ninguém que diz: obrigado, Neymar! Sentiremos tua falta!