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Cristian

Alegria de Prazo Curto

Por Cristian April 3, 2026 0 Comentários
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Ontem à noite, quinta-feira, véspera de Sexta-Feira Santa, resolvi cometer mais alguns pecados antes do jejum: secar o Grêmio e tomar uma cerveja. Uma só. Bem gelada. Sem pressa. Daquelas que a gente bebe como quem reza baixinho por justiça divina, ou ao menos por uma derrota gremista sem margem para contestação.

 

Minha alegria começou cedo, já na escalação, com a ausência de Arthur. Que momento. Acho o Arthur um bom jogador. E é justamente por isso que me alegro tanto quando ele não está em campo pelo Grêmio. Há coerências morais que a vida exige da gente.

 

O Enamorado até tentou estragar a liturgia da noite, mas Weverton, homem de fé e reflexo, não permitiu que a heresia se consumasse. No fim, o Porcão venceu, e eu pude degustar aquele pequeno prazer mesquinho que só o futebol oferece: a felicidade sincera provocada pela infelicidade alheia. Nada mais humano. Nada mais grenalizado.

 

Mas alegria de colorado, como se sabe, vem sempre com prazo de validade curto. Mal terminou o deleite gremista, fui tomado por aquela ressaca moral que só o Inter sabe servir com requinte. Empatamos, é verdade. O placar dirá isso aos distraídos e aos estatísticos. Mas a sensação foi de derrota. E nem derrota épica, daquelas que ao menos rendem discurso. Foi derrota moral, psicológica, espiritual. Daquelas que chegam mansas, faltando três minutos para acabar o tempo regulamentar, só para lembrar ao torcedor colorado que nem o relógio está do nosso lado.

 

A sensação foi a de um sujeito que sai satisfeito do rodízio, orgulhoso da própria performance, e resolve encerrar a noite atacando o bufê de sobremesas como se não houvesse amanhã. Há excessos que o corpo perdoa. O futebol, não. O Inter transformou mais uma vez um resultado administrável numa punição afetiva. O time tem uma vocação impressionante para estragar o próprio enredo.

 

Não acompanho entrevistas. Já abracei meu destino de tiozão do zap e do reels. Um homem de hábitos simples, desinformação fragmentada e paciência curta. Encarnei tão bem o personagem que às vezes me pego desconfiando seriamente de que já acreditei em coisa gerada por IA sem perceber. E aí me ocorre uma pergunta honesta: não tem uma alma caridosa para usar essa tal inteligência artificial em favor do bem?

 

Não dá pra ajeitar o Inter por algoritmo? Não dá pra fabricar uns vídeos do Borré fazendo gol em sequência, só pra eu lembrar como era ter esperança? Não dá pra gerar umas imagens do Bernabei marcando com a fúria de um Guiñazú privado do convívio familiar há quinze dias? Nada. Zero. Absolutamente nada. A IA, pelo visto, evoluiu o suficiente para me oferecer curso milagroso, produto revolucionário e moças calorosas de biquíni provavelmente interessadas em me arrancar os pila, mas não para resolver o básico, que seria devolver alguma dignidade futebolística ao Sport Club Internacional.

 

E esse talvez seja o retrato mais cruel da nossa fase: até a tecnologia de ponta ignora o Inter. A modernidade inteira foi mobilizada para vender ilusão, mas nem ela se atreve a prometer que esse time vai melhorar.

 

A nossa realidade se apequenou nos últimos anos de forma geométrica. O que antes era frustração de grande virou rotina de clube acuado. E neste ano o time parece empenhado em flertar com o rebaixamento como quem testa os limites da paciência popular. Já estamos todos com medo, e mal passamos da quinta rodada. Não é corneta. Não é histeria. É instinto de sobrevivência. O torcedor colorado aprendeu a reconhecer cheiro de tragédia antes mesmo da fumaça aparecer.

 

O mais doloroso nem é só a campanha, o ponto perdido ou o resultado escapando no fim. O pior é essa atmosfera de apequenamento, essa sensação de que o Inter entrou em campo já pedindo desculpas por existir. Falta futebol, falta firmeza e, sobretudo, falta aquela velha impressão de que do outro lado existe um clube que sabe o tamanho da camisa que veste.

 

Hoje o colorado assiste aos jogos como quem vigia uma panela de pressão defeituosa: não sabe exatamente quando vai explodir, mas sabe que não termina bem.

 

E no meio disso tudo seguimos nós, fiéis, amargos, supersticiosos, secando rival na quinta-feira santa e tentando achar algum sentido nesse penitenciário emocional a céu aberto chamado temporada. O Grêmio, ao menos, me deu uma alegria breve. O Inter, como de costume, tratou de compensar logo depois.

 

Ser colorado virou isso: comemorar o tropeço dos outros com a mesma intensidade com que se lamenta a própria decadência. E talvez seja esse o sinal mais preocupante de todos. Porque quando o rival vira alívio e o próprio time vira castigo, é sinal de que a coisa desandou num nível que nem a corneta explica mais.

 

 

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