Na ânsia de manter minha média de uma postagem mensal aqui no blog, eu ia escrever quando eliminamos o Corinthians. Era incrível como o cenário parecia de um céu nublado que ia se abrindo aos poucos pra nós. A esperança de ficar na série A era maior, o goleiro novo parecia realmente ser bom, o Maripán já estava firmado titular, todos esperavam a chegada do tal do Arce pro time arrancar, montamos um esquema com Alan Patrick de falso 9… era uma semana alentadora.
Os dias se sucederam, eu perdi o timing da postagem, e o barco voltou a balançar. O empate com o Remo no último minuto parece que custou toda a paz do clube. Jogamos muito mal aquele jogo, e no próximo, contra o Galo, foi pior ainda, e daí veio esse Grenal horroroso, a notícia de que estamos sem caixa, e uma derrota (novamente) sentindo o jogo escapar pelas mãos contra o Bahia.
Os problemas parecem óbvios e todo mundo fala: o time é de qualidade ruim, o treinador muda o esquema a cada jogo, a diretoria faliu o clube em todos os aspectos possíveis. E tudo isso é verdade, mas tem algo pra mim que não fecha nessa conta.
Que a diretoria vem cometendo sucessivos erros nos últimos anos, todos nós sabemos. É muito óbvio. Mas por que as coisas não são claras? Onde foi que o caixa do Internacional foi liquidado? Por que não conseguimos arcar com o salário dos jogadores? É a falta do patrocínio master? Se sim, isso não teria ficado óbvio lá no início do ano? Por que essas coisas não aparecem pra torcida?
Se o Internacional chegou num ponto onde aceita o transferban porque prioriza acertar com os jogadores, o que é que faz o diretor Fabinho? Por que então não tenta vender alguém? Temos uma janela deficitária porque não há saídas, mas por que não há saídas? Por que não temos jogadores da base sendo especulados lá fora? De todos os anos, esse é o que menos a base foi aproveitada. Tem alguma razão específica pra isso? Não existem mais talentos na base? Se é a falta de talento, como chegamos nesse ponto? O que as sucessivas trocas de diretoria da base têm a ver com isso?
Considero muito misterioso que tudo tenha desandado, ou pelo menos que a crise tenha emergido toda de uma vez. É uma sequência de questões que, se estava oculta até aqui, demonstra um problema mais fundo. Imagino que ou se sabia que a situação chegaria ao ponto de insolvência e se prevaricou, ou não se sabia e as pessoas que lá estão parecem mais incompetentes do que qualquer pessoa que trabalha com futebol no Brasil. Mas eu me recuso a acreditar na segunda hipótese tendo o Abel Braga trabalhando no clube.
Como eu tinha dito em outra coluna, a consultoria que o Internacional contratou falou que o clube precisaria de um “aporte de 200 milhões” direto no caixa pra simplesmente seguir rolando. Aparentemente, pegar esse dinheiro em bancos está fora de cogitação, porque se fosse possível, imagino que já estaria feito. E a briga política interna do Internacional também parece ter resultado em um isolamento total do Barcellos, que não tem nenhum “tio do arroz” pra pedir dinheiro.
Mas tudo pra mim é “aparentemente”. Eu não tenho informações. Tudo que vejo é da porta pra fora, e são muitas lacunas para avaliação: por que acabou o dinheiro do caixa? Por que não se usa a base, se não temos jogadores? De onde virá o aporte milagroso? Se não temos patrocínio master, por que não enchemos o time de patrocínios no melhor estilo Série C? Vamos deixar morrer por que certas escolhas são “feias”? Faltam explicações, sobram dúvidas, aparentemente, até os repórteres sumiram. Sinto que a mídia esportiva está muito focada no jogo a jogo, e não resta nada sobre a sustentabilidade do clube. Juro que tento buscar o sentido do que está acontecendo, mas faltam muitas peças no quebra-cabeças.
Dito isso, na semana Grenal, o milagre é ganhar deles, convencer, ganhar do Santos no final de semana, e buscar uma retomada. Ainda tem uma janela de esperança, bem pequenina, aberta pra nós. Não há garantia nenhuma que isso vai acontecer, porque nossos jogadores não estão sendo pagos e ninguém sabe se eles estão fazendo corpo mole ou se o Vitinho erra o gol de cara pro gol ao natural mesmo. Como torcedor, o que me cabe agora é rezar por esse milagre, e buscar migalhas de informação pra entender o que se passa. Talvez o meu erro seja querer alguma coisa lógica nesse negócio passional chamado futebol.