Nos tempos de palco fandangueando por aí muitos parceiros ombrearam a lida comigo e, em sua grande maioria, eu foi quem tive a honra desta oportunidade. Nas volteadas musiqueiras eu muitos amigos conquistei e acredito que nunca fechei uma porteira por onde passei. Ainda hoje se chego e pago ingresso é para valorizar o organizador do evento e o artista que se apresenta, e não porque me cobram logo na chegada.
Quero acreditar que tudo isso se deva a humildade que sempre trouxe comigo. A mosquinha do sucesso nunca pousou sobre mim, mesmo porque creio nem ter chegado a tanto.
Certa feita, no auge dos fandangos de semana inteira por aí, fui prestigiar a posse como patrão de CTG dum velho amigo da família. Levei comigo o gaiteiro São Borja, um valente orelhador de cordeona que foi um dos bons amigos que a música me deu. Fandango véio botado, muita gente conhecida e eu ali a espreita do palco, como sempre, observado a qualidade do conjunto. E que conjunto! Só que o Lacerda, professor de gaita e líder da turma resolveu se aposentar e naquele dia o seu melhor pupilo, o jovem gaiteiro Airton, estava deixando de ser apoio para virar o artista principal.
Talentosíssimo e irreverente, ao tentar impor seu estilo logo de cara o Airton levantou o baile demais e o povo não conseguia acompanhar o ritmo, afinal, tinha muito mais veterano do que moço por ali. Na ânsia de mostrar o seu talento logo de cara e provar que estava pronto para liderar tecnicamente a banda, o gaiteiro pareceu mesmo estar enfeitado.
Perdemos ontem na volta do Brasileirão, rodada que marcou o fim do primeiro turno. Uma campanha medíocre do Internacional, agravada pelo fator casa. Sim, o nosso Gigante da Beira Rio virou terra de ninguém. Perdemos, ademais, do time mais vencível daqueles que iremos enfrentar na inglória sequência de jogos que vem pela frente. Foram cinquenta dias ou mais de folga, oportunidade para azeitar o time e, na ânsia de mostrar novamente o seu estilo de jogo próprio que fracassou (e muito!) nesta temporada, o treinador mais uma vez colocou um time enfeitado em campo. O resultado, aliás, não fugiu da realidade que vem sendo posta ao longo da temporada diante dessa sua desaventurada insistência: derrota!
E já são inúmeros os insucessos que podemos creditar ao que não se pode compreender advindo de sua mente.
Com aquele baile meio de arrasto o Marcos – dono da banda e já radicado na mesa de som, ficou insistindo pra gente subir no palco dar uma “canja” e não teve jeito. Aí lembro que disse já na escada pro São Borja: “os caras tocam muito mais do que nós, vamos num feijão com arroz simples e era isso”. Começamos com Sonhando na Vaneira, porque tocar Os Monarcas não tem erro nunca. O que era para ser três músicas virou quase uma hora. A sala véia bufou com o nosso trancão. Quando paramos, pois já tava meio chato com os integrantes da banda, lembro que na saída do palco um gaiato surgiu e gritou: “não para que o baile melhorou!”.
Não nos tornamos mais músicos que aqueles colegas de tutano e respeito. Eram e sempre serão muitos superiores. O que fizemos foi reconhecer e respeitar isso.
O nosso treinador charrua não cairá em descrédito, tampouco em desonra, se reconhecer que o nosso time é fraco e, com isso, ainda que jogando em casa, tenhamos de primeiro assegurar o “não perder” para depois pensar em lotar a sala de casais dançando. Ser talentoso, porém enfeitado, não vai lhe conferir mérito por virtuosismo.
Aliás, como diz uma outra música d’Os Monarcas: “não há vaidade em comer pão com banha”.
Com a licença poética de Dadá Maravilha, não existe vitória feia. Feio é levar o povo ao Gigante e sair derrotado. Na bola e no orgulho de nossa Torcida.
CURTAS
– Pezzolano assinou a derrota uma vez mais e merece a fama não tão injusta de Professor Pardal;
– Cachorro que come ovelha só matando?;
– Centroavante que perde gol sem goleiro é caso de demissão por justa causa;
– Ou contrata uns 3 titulares de estofo e para de gastar dos cobres com refugo, ou o pior tende a acontecer;
– Zagueiro Chileno ora lembrou Rogel, ora deu um pouco de esperança. Mas se o treinador insistir em linha alta, não vai dar certo;
– Falando em zagueiro, embora guri, não merece passada de mão na cabeça: a carreira do Victor Gabriel no Internacional acabou ontem. Lamentável!;
– Alan Patrick tá mal, mas ontem era jogo para cadenciar a bola no meio e, logo, para ter o camisa 10 em campo;
– Dizia o Dr. Ibsen que “mexe bem o treinador que escala mal”. Pois partiu antes de ver a capacidade do nosso treinador em “superar” esta máxima;
– O pior primeiro turno do Inter na história dos pontos corridos;
– Desastre que virou o Sport Club Internacional tem nome e sobrenome: Alessandro Barcellos.
PERGUNTINHA
O que fizeram com o Internacional?
É só na base da fé e esperança mesmo.
PACHECO