Nem todas as camisas de futebol precisam de décadas para se tornarem artigos raros de colecionador. A camisa da resenha de hoje se encaixa nessa exceção: embora tenha apenas quatro anos, é bastante rara e de difícil obtenção. Muitos torcedores aliás, sequer sabem que ela existiu: estamos falando da camisa tampão usada entre a saída da Reebok e a estreia da Nike vestindo o Inter, em 2012.
Originalmente a Reebok encerrava o contrato com o clube em dezembro de 2011, porém o bom relacionamento entre as diretorias, permitiu uma pequena extensão do vínculo por mais 30 dias, necessário pois as camisas da Nike ainda não tinham sido aprontadas. Em fevereiro, as duas primeiras partidas são contra o Grêmio pelo Gauchão e contra o Juan Aurich pela Libertadores. A programação previa time reserva no clássico, e por zelo o clube decidiu não estrear o uniforme novo sem sua força principal em campo. Assim, e sem poder usar mais uma vez Reebok, a saída foi comprar algumas dezenas de camisas licenciadas pelo clube, e customizar com os patrocínios de então. Assim entramos em campo no dia 5 de fevereiro de 2012 para enfrentarmos o rival com seu time titular. Galhofeiramente, a torcida colorada apelidou o time de “Amigos de Bolívar”, já que o zagueiro era o único jogador de referência da equipe a participar da peleia, além do goleiro Muriel. Alguns craques colorados que entraram aquela tarde no Estádio Olímpico eram Élton, Josimar, Jô e Fransergio. A partida também marcou a estreia de Dátolo no Internacional.
Pois no frigir dos ovos, o Amigos de Bolívar amarrou o adversário num justo empate de 2×2, sendo que o capitão Bolívar foi o responsável pelo segundo gol (o último gol colorado na história do Olímpico). Ao final do jogo, muitos jogadores foram até a torcida para agradecerem o apoio e jogarem suas camisas. Bolívar foi um deles. A camisa parou nas mãos de um torcedor de organizada, que passou a um amigo, que gentilmente passou-a a mim. Em dezembro de 2015 tive a oportunidade de me encontrar com Bolívar e relembrar-lhe o episódio. Ele autografou a peça, que embora esteticamente seja pobre, é historicamente riquíssima já que aquele Gre-Nal foi a única partida em que o time colorado a vestiu.
Para ver as fotos ampliadas, clique em cada uma.






