Algumas semanas atrás, um dos nossos colegas comentaristas aqui do BV (se não me engano foi o Janquiel, mas me corrijam se estiver errado), deu a idéia de escrevermos textos sobre jogos do Inter que nos marcaram. Tipo contando detalhes do jogo, mas também nossas histórias pessoais naquele dia.
Eu achei uma baita idéia, e vou pelo menos tentar escrever textos sobre algumas partidas que me marcaram.
Tenho algumas na cabeça, como a de hoje, e outras fáceis prá qualquer colorado como o grenal do século, as grandes decisões, o grenal do Fabiano, e alguns jogos que não valiam muita coisa, mas que tive a felicidade de ver um time quase perfeito em campo. As vezes isso acontece!
Também quero ver se consigo escrever sobre alguns jogos em que “os 3 pontos não vieram”, mas que nos marcaram também como colorados. Lembro de alguns grenais, claro, de um certo Olímpia, do Bahia, do Ceará…
O de hoje atualmente é o que mais me marcou, pois foi meu último.
Inter 3 x 2 Pumas – Libertadores de 2006.
Aqui os gols (narração do Jorge Ramos!):
https://www.youtube.com/watch?v=wqkzl1m1Xws
Tem um vídeo também extraído do filme comemorativo, mas infelizmente tem a narração do Pedro Ernesto Gremistin, que é a coisa mais brochante do rádio. Para ele, o goleiro do Pumas falha até na lesão do Bolaños.
O Inter jogou com Clemer; Ceará (Sea-rá? Ou não Sea-rá!), Bolívar, Fabiano Eler e Rubens Cardoso; Fabinho, Perdigas e Tinga; Mítchel Michel, Iarley e Ele. Depois entrou Mossoró, Rente-fucking-ria e Gabirú.
Foi no dia 22 de março de 2006, e foi um jogaço! Na campanha do título, uma virada emocionante, com direito a gol dEle… mais vários elementos do jogo em si que foram fantásticos.
Mas o que mais me marcou foi que foi meu último jogo do Inter no Beira-Rio (espero mudar esta marca no dia 7 de setembro de 2016, contra o Santos, quarta de noite, quando estiver em Poa visitando por 10 dias).
4 dias depois desse jogo eu embarcava prá minha nova casa no Canadá – que a propósito eu não sabia onde seria. Lembro da minha esposa filosofando no último trecho do vôo, olhando a neve no chão lá de cima pela janela do avião: “ja te deu conta que estamos indo prá casa, e nem sabemos como ela é?”
Mas voltando ao jogo. Eu fui com meu pai, como fiz nos 20 anos anteriores. Sabia que ia ser o último por um bom tempo, e queria que valesse a pena.
No primeiro tempo…. sabe aqueles chatos que infestam o estádio, que parece que secam tanto o próprio time que acabam interferindo no resultado? Sentou um desses do lado do meu pai. Logo do meu pai…. O cara já tava meio gambá, e passou os primeiros minutos enchendo o saco pq não gostava do Clemer. Aí, ele teve o prêmio dele! O Clemer leva não um, mas dois gols que podiam sim ter sido defensáveis.
Bah, o bebum tava em êxtase! Aquela coisa do “viu, não disse que era um frangueiro? Hic!” e “eu sei tudo! Hic!”
A gente já tava pensando em trocar de lugar (a saudosa laje da superior, embaixo do boné) quando o Michel desconta. Aí não ouvimos mais o gambá pq o estádio começou a gritar e só parou uma hora depois.
No intervalo, o gambá cambaleou prá outro canto do estádio, e nos livramos da peste. Ou foi embora, pq o Clemer não apareceu mais.
Esse prá mim, é um daqueles jogos que podiam virar filme! Aqueles filmes épicos, sabe? Os gols são aqueles partos! O primeiro quando Ele tenta meter de cabeça, deitado no chão, e a bola passa mas o Michel tá ali prá meter prá dentro.
No segundo, depois do Tinga dar uma tesoura biônica no meio do campo, Ele aproveita a falha do goleiro mexicano (fiquei pensando no bebum!) e também empurra prá dentro. O medo que deu do juiz marcar a falta…! Coisa que aliás, a imprensa… aquela sabe? …ficou debatendo no outro dia – nada surpreendente…
E aí que foi aquela martelação até o fim.
E o profético gol do Gabirú!
Talvez a associação marca mais o jogo ainda, mas o Gabirú também foi a campo no segundo tempo, sem vaias e pegação de pé, mas com muita suspeita.
E faz aquele gol, com assistência de cabeça dEle.
Acho que mesmo com as falhas, mesmo com a dificuldade, ele se qualifica como um daqueles jogos perfeitos! Perfeito de ter ido ao estádio!
Que baita lembrança da última vez! Espero que a próxima seja parecida.
Deixo prá vocês comentarem sobre este jogo. Contem a história de vocês.
Podem contribuir com outro jogo inesquecível. Fica o convite aos outros escritores e comentaristas do BêVê prá seguirem a série.
