Não sei se alguém já leu este livro, mas ele é incrível, na minha opinião a maior obra do excelente Augusto Cury. Recomendo a todos, pois acima de um livro de auto-ajuda, o enredo é cativante e em muitos momentos nos deparamos com situações corriqueiras do cotidiano.
Cury conta a história de um sujeito desconhecido, curioso e completamente distante daquilo que vemos hoje em dia. Valorizando a humanidade, valores pessoais acima dos materiais, ele consegue formar um grupo de seguidores peculiares e problemáticos, com um único objetivo: VENDER SONHOS.
Mas o que isso tem a ver com o Internacional? Na minha opinião bastante.
O futebol no Brasil está muito distante de um mero esporte. Muitas vezes, é esta atividade que nos proporciona dias felizes em meio a tantas tristezas e problemas que todos nós enfrentamos frequentemente. Quando o juiz apita, pouco em volta importa, a visão fica fixa e a audição impenetrável. Os sentimentos muitas vezes afloram, o grito solta da garganta, seja no momento do gol ou num xingamento daqueles mais cabeludos. Os olhos muitas vezes nos traem, entregando aquela derrota dolorida ou aquela vitória épica. Só quem trata o futebol como algo além do esporte, sabe do que estou falando.
Acontece que tudo isso só ocorre, quando o clube amado proporciona a emoção. Não são necessários títulos, goleadas ou lances marcantes. A torcida quer aquele algo a mais, quer SONHAR, mas para isso precisa enxergar seus SONHOS nos olhos dos jogadores.
O Internacional de Fernandão, Clemer, Iarley, Sóbis e Indio, ganhou praticamente tudo, mas não eram apenas as conquistas que nos faziam grudar na TV ou no rádio e contar as horas para cada partida começar. Aquele time tinha uma enorme facilidade de VENDER SONHOS. Era um dom, eu me atrevo a dizer.
Estava dias atrás olhando alguns jogos de 2005 no Youtube, e me peguei nervoso, tenso, torcendo como se fosse no momento atual. Talvez nós Colorados estejamos com saudade daquele sentimento. Aquele time não goleava, não era um primor técnico, vi muitas falhas absurdas nos jogos que assisti, mas eles me representavam.
Quando eu gritava pro Indio afastar uma bola, lá estava ele rachando o perigo do sistema defensivo.
Quando eu pensava “vamos apertar essa saída de bola p…” lá estavam Iarley e Sóbis correndo feito loucos em cima dos zagueiros adversários.
E quando o jogo encrespava, Fernandão e Clemer passavam aquela tranquilidade que a torcida e eu pediamos baixinho. E muitas vezes, faziam o contrário, tocando fogo naqueles jogos mornos.
O Inter por anos conseguiu isso. O time carregava a torcida, pois o contrário só ocorrerão em momentos esporádicos, como no ano passado, aonde o time foi um em casa e outro fora. Mas embora com vitórias, pouquíssimos jogos me prenderam, me fizeram esquecer o mundo em volta. Poucos gols foram vociferados pela minha garganta, e nem mesmo as derrotas mais vexatórias (e teve muitas) foram dolorosas a ponto de atiçar meus olhos
E isso não afeta apenas os torcedores. Os próprios jogadores SONHAM diferente. Alguns mal viram titulares, começam a ser reconhecidos e já fazem as malas para sair. O Internacional não VENDE SONHOS nem para os meninos que cresceram dentro do Clube.
Anos atrás doía ver as entrevistas dos jogadores que estavam saindo do time. O choro e as palavras sinceras juravam amor ao clube, agradeciam a torcida e alertavam sobre problemas que só quem ama consegue enxergar.
Hoje os atletas nem saem e já estão humilhando os torcedores e menosprezando a instituição que os formou.
A direção deveria rever os critérios de contratações, analisar quais os jogadores tem capacidade de novamente trazer a torcida de encontro ao time e isso não se faz com campanhas publicitárias, pois por incrível que pareça, um clube de futebol vive de… FUTEBOL.
Então vamos valorizar aqueles que querem jogar aqui, que SONHAM em ganhar títulos e jogos pelo Internacional e não apenas em usar o clube com trampolim visando a Europa.
Fomos campeões com meros mortais, batalhadores e entendedores de suas limitações. Jogadores com sangue nos olhos, que se superavam em busca de um objetivo em comum. Craques como Forlan, Lisandro e Cavenagui passaram por aqui sem deixar saudade. A torcida Colorada quer mais do que isso.
Nós só queremos voltar a SONHAR.
Saudações Coloradas…




