Este texto é um contraponto, incisivo, ao que se vem dizendo do Inter. Primeiramente, quero lembrar aos desavisados que desde o início do ano eu venho defendendo o Aguirre, conclamando os colorados a encararem nossos fantasmas, defendendo Aguirre e o time novamente após o primeiro GreNal e, finalmente, incitando o espírito vencedor do Aguirre e do time, antes do segundo GreNal. Do que se pode concluir que não sou um simples oportunista, ok. Pelo contrário, é por defender o trabalho do Aguirre que me sinto no direito e na obrigação de fazer as críticas que me parecem cabíveis no momento. Mas há mais alguns adendos, antes de seguir com o argumento.
Fiquei orgulhoso da atitude do time e direção, ao homenagear LF Costa. Foi bonito, foi discreto (nem tocaram no assunto antes do jogo) e foi uma amostra da união no clube. Já o tamanho da taça no Gauchão parece seguir o princípio do “inversamente proporcional”: quanto menor o campeonato, maior a taça. Ridículo.
Eliminação? Sim.
Alguém quer ver a imagem da chamada do post na próxima quarta-feira? Eu não. Por isso quero olhar para ela agora, pois como já disse, não tenho medo de fantasmas. Não deveríamos ter. Se perdermos mesmo após termos feito todo o possível, tudo bem. O problema é que não temos feito todo o possível, especialmente nos últimos jogos. Temos que mudar isso para seguirmos adiante na LA. Por alguma razão, que não entendo bem mas acredito que esteja relacionado ao esquema tático implantado pelo Aguirre, o time mostra desde há alguns jogos uma queda importante e perigosa no que tange ao tempo de posse de bola, número de finalizações e número de passes. Todas medidas correlacionadas, óbvio. Vamos aos números (fonte: www.footstats.net):
- Finalizações. No Gauchão, até o segundo jogo contra o Brasil de Pelotas, dificilmente ficávamos abaixo de 12 finalizações por partida; desde o primeiro jogo com o Grêmio, este é o máximo de finalizações. Na LA a média sempre foi abaixo de 12, mas crucialmente, no último jogo contra o Galo ficou em apenas 5 finalizações. Vejo dois fatores principais na raiz desses números: (i) o Inter não chuta de fora de área quase nunca, mesmo tendo Dale, Alex e outros jogadores com técnica para tal; e (ii) na LA de modo geral e nas partidas contra o Grêmio, a proposta do time tem sido recuar e abrir mão da posse de bola. Houve exceções, mas apenas enquanto os adversários respeitaram o Inter, pois assim que resolviam apertar a marcação e partir pra cima, o Inter se encolhia novamente.
- Passes. Na LA, nos dois jogos anteriores ao do Galo, tivemos em torno de 400 e depois 500 passes. Contra o Galo, 214. No Gauchão, no segundo jogo contra o Brasil tivemos 544 passes. Contra o Grêmio, 402 no primeiro jogo e incríveis (míseros!) 292 no segundo jogo, em casa. Isso é certamente uma decorrência da falta de posse de bola, da proposta de jogo absurda que o Inter vem tendo ultimamente, em que simplesmente devolve a bola ao adversário a cada ataque defendido.
- Posse de bola. Contra o Galo (fora), 36.1% (com 84% de acerto). No segundo GreNal (em casa), 46.7%, no primeiro (fora), 53.1%. Contra o The Strongest (em casa), 56.8%. Contra o Brasil de Pelotas (segundo jogo, em casa), 66.4% (e 94% de acerto). Contra a LaU (fora), 52.3%. No jogo contra o Galo, o Inter fez nada menos que 58 “lançamentos” (=chutão) com apenas 31% de acerto (contra 39 do Galo e 46% de acerto). No segundo GreNal, tivemos 31% de eficiência em 54 tentativas. Lembre-se: cada erro é uma devolução de bola pro adversário. Depois querem que o time não esteja morto ao final do jogo. Ficar correndo atrás da bola o tempo todo é suicídio!
Sim, se a gente olha só os resultados dos jogos, só podemos concluir que eles tem sido muito bons até aqui. Mas quando analisamos outras variáveis, vemos que o time vem, na verdade, numa descendente que, como tal, levará a um “fundo” que, sabemos, se chama eliminação. Alguns poderiam dizer que não fomos nós que caímos, mas os adversários que estão melhores. Poderia ser, se o Inter já não tivesse mostrado capacidade de jogar melhor contra estes mesmos adversários. Tivemos primeiros tempos fantásticos, assim como o segundo tempo no primeiro GreNal. Já mostramos que podemos, mas há algo errado na dinâmica de jogo do time, na postura tática, talvez até mesmo pela incompreensível falta de liderança do nosso capitão Dalessandro, para acalmar o time e cadenciar o jogo.
É curioso e preocupante que os números começaram a cair depois que o time pareceu encaixar, o que indica que a queda é motivada por escolhas táticas do treinador que por alguma razão desconhecida afetaram negativamente a capacidade do time de manter a posse de bola, embora tenha melhorado a segurança defensiva. Mas não nos iludamos: contra o Galo, não perdemos por pouco. Se continuarmos a tentar a sorte dessa maneira, ela vai acabar e mais cedo do que imaginamos.
Do jeito que está, estamos em rota de eliminação. Espero que Aguirre e o time tenham ciência desse problema e que consigam rapidamente solucioná-lo, melhorando a capacidade de retenção da posse de bola, mas não apenas! Temos que melhorar nossa capacidade de finalização de fora da área, para produzir mais chances de gol.
Finalmente, o Inter precisa seguir atacando até o fim do jogo, buscando o gol, tentando ampliar o placar. Está sendo muito prazeroso, embora tenso, assistir aos jogos do nosso colorado e eu espero que possamos assistir ainda a vários jogos na LA, mas pra isso, teremos que melhorar nosso nível. E, se melhorarmos, dificilmente alguém tira esse título da gente!

Fonte: Divulgação / SC Internacional