O Inter, especialmente nas figuras do Aguirre e do time, estava confortável. Apesar de ver o nível do jogo cair jogo a jogo, inclusive em casa, com menos posse de bola, menos arremates a gol, menos marcação adiantada, os resultados obtidos impediram que houvesse pressão para melhora do time. O raciocínio indutivo imperou até então: se recuando e explorando o contra-ataque, conseguimos resultados positivos, então concluiu-se que recuar é vencer.
O problema com a indução é que ela só é relativamente confiável quando se tem uma enorme quantidade de exemplos favoráveis. Por isso é que a dedução é a preferida da ciência: uma vez que você determina os fatores que estão de fato na causa de algo, não importa quantos exemplos confirmadores você viu, você sabe que a hipótese será confirmada a cada novo evento.
Portanto, não apenas a indução deve ser usada com muita moderação, mas ainda o Inter peca por desconsiderar uma enorme massa de exemplos desfavoráveis sobre o que ocorre com times que se propõem sempre a jogar retrancados, deixando o jogo na mão do adversário. É óbvio que excepcionalmente essa tática vai dar certo e está aí uma das belezas do futebol. Mas é notório que na grande maioria das vezes, o fracasso é o resultado final.
Se quiser, faça um exercício: pegue os campeões dos últimos 5 anos, em qualquer campeonato, e determine quantos desses campeões venceram com um estratégia covarde como a do Inter. De saída, já te digo para poupar o esforço: são exceções absolutas. Na imensa maioria, vencem os times que se propõem a jogar, a vencer. Mourinho está aí para comprovar isso e olha que ele é um baita técnico, mas que peca por preferir o jogo defensivo. Das exceções que tiveram sucesso com essa tática, pode ter certeza que estes times eram realmente muito limitados e portanto não tinham outra alternativa a não ser jogar no erro dos adversários.
Daí questiono: quem aqui considera o time do Inter, jogador por jogador, inferior a qualquer outro concorrente da Libertadores, mesmo o Galo que já eliminamos? Espero que ninguém, pois não somos. Para cada posição, temos pelo menos um jogador de nível satisfatório no momento (comparando aos adversários). Então, o que justifica esse estilo de jogo covarde? Este jogo neurótico pelo recuo está matando jogadores talentosos, que se cansam demais e muito cedo. A performance de todos os jogadores, à exceção do Valdívia, tem caído: Dourado, William, Sasha, Dale. Todos parecem menos confiantes.
Colorados, o jogo de ida foi ridículo. Ruim de assistir, decepcionante, frustrante, desalentador. Aguirre fez uma leitura péssima do jogo, realmente lamentável. O resultado numérico? Totalmente reversível, claro. Mas a atitude covarde desenvolvida e ampliada desde o último GreNal? Improvável que mude, a não ser que a pressão que espero que se faça sobre Aguirre e o time surta o efeito desejado: evolução!
Só evolui aquilo que sofre pressão, que em geral é provida pelo meio (exógena), mas que nos seres humanos pode também ser endógena, caso dos indivíduos e equipes que buscam a perfeição, sempre cobrando-se um pouco mais, à despeito do nível dos adversários.
Já escrevi antes que, nessa direção, estamos em rota de eliminação. Isso é evidente, só não vê quem não quer ou gosta de pensamento mágico como “força do estádio”, “força da torcida” e quetais, como se o exemplo do Grêmio e do Galo já não devessem bastar. Como se a eliminação para o Penharol há alguns anos não devesse bastar! Torcida e estádio não ganham jogo, vence quem é competente.
Chega de jogo covarde, Aguirre, por favor! Coloque esse time pra jogar de verdade, avance essa maldita marcação e faça os jogadores pararem de deixar os caras dominarem as bolas e se vivarem com a maior tranquilidade do mundo!
Te vira, meu caro. Você está num clube que lhe deu recursos. Além disso, sair da Libertadores nessa altura vai tornar tudo o mais (BRão, CdoB) mais difícil e vai tornar sua (e nossa) vida um inferno. Na quarta, não se trata de acreditarmos ou não, se trata de você fazer a sua parte. É tua obrigação fazer esse time vencer e convencer.
P.s.: Ontem fui ver o jogo na casa de um antigo e famoso leitor do BV, o Anderson, conhecido então como col_usa, integrante do “trio corneta”. Gente finíssima, pena que o dia não foi dos melhores pra gente. Espero que na próxima quarta a gente dê mais sorte. Valeu o convite, Anderson! E, Louis, estamos combinando uma visita pra ti em julho (segunda semana). Vamos nos falando.