DÍAZ DE GLÓRIA!

Meu finado avô, o Moysés, introduziu não só o futebol no contexto da família, como foi dele o pontapé inicial para fazer de muitos de nós doentes pelo Colorado. O Tio Mosa, como todo mundo lhe conhecia, ostentava com orgulho a farda dos tempos de Brigada, contudo quando eu passei a me entender por gente era como “batedor” de serenatas que se destacava em meio ao povoado lá daquele meu fundão de campo. Tocador de violão e cantador, tinha na música o principal remédio para as dores da vida e os traumas de tudo que presenciou nas peleias que participou como brigadiano. A cantoria, a família e o Internacional eram o que lhe mantinha de pé.
Tendo sido o único músico conhecido da minha família, concluo que foi dele que herdei essa minha predileção pelo palco.
Pois meu neto mais moço nunca tinha visto o avô numa lida fandangueira. Há pouco mais de uma década, já nem lembro ao certo quando e mesmo o porquê, numa bela noite e parte da madrugada estive no palco tocando um baile e a coisa não mais se repetiu. De início, um tanto quando abichornado – eis que pra mim a música sempre foi tal qual os versos de Jaime Caetano Braun : “vício que nem sarnoso, nunca para e nem se ajeita” – até que não sair aos finais de semana para tomar sereno no lombo passou a ser a rotina. Aliás, não é difícil se acostumar com a vivência de dormir cedo mesmo num sábado à noite.
Velhos dormem cedo, afinal.
Já dando ensejo à cruzada do Cabo da Boa Esperança, como eu, está Don Ramón Díaz, que ontem chegou e fora anunciado como novo técnico do Sport Club Internacional. Um treinador que chega com um currículo invejável de 17 títulos, vencedor por quase todo o lugar que passou e ainda com alguma lenha para queimar. Engana-se, quem acha que os seus 66 anos, bem vividos, possam ser atrapalho para que, agora no Inter, ainda espere almejar alguma glória, se não para massagear o próprio ego, mas para colocar nas linhas do currículo do próprio filho – Emiliano, elementos que demonstrem a capacidade de quem sabe ali na frente construir uma trajetória com seus próprios passos.
Pois numa noite dessas, com a madrugada firme seguindo por diante, deste setembro farroupilha, eu tive a honra e alegria de voltar ao palco, oportunidade em que uma vez mais revivi o ofício da lida cantadeira e fandangueira e pude não só matar um pouco da saudade, como mostrar para o meu neto mais moço um pouco das tantas peripécias que o avô já fez por aí. Modéstia à parte, além de muitas histórias para contar, também tenho muita coisa para cantar por aí. Dos meus dias de glória!
E assim como eu, que ainda resguardava lá no fundo da alma um novo fandango para animar para o povo, haverá de ter guardado um espaço na estante do velho Ramón Díaz para que possa acomodar alguma taça que detenha o Sport Club Internacional como o vencedor e a seu comando técnico. Novos dias de glória para o Inter e à torcida Colorada.
Não serão dias de glória, aliás. E, sim, Díaz!
T O D O S O S D Í A Z.
CURTAS
– Neste momento, para além de esperança, o que podemos desejar à família Díaz é sorte. E muito sucesso nesta empreitada;
– Atingindo os objetivos, pouco me importa quem será o treinador de fato e quem o de direito;
– Passado tanto tempo à espera desta glória que tem custado a novamente chegar, chegando é o que nos basta;
– Fala-se muito bem do preparador físico da comissão técnica, o brasileiro Diego Pereira. Menos mal, pois nos está faltando perna mesmo;
– Já surgiram boatos de que Don Ramón teria pedido, ainda para esta janela, zagueiro, lateral esquerdo, um centromédio, ponta direita e centroavante;
– Também teria revelado que não conta com Richard e Ronaldo;
– O véinho chegou ontem à noite e já enxergou o que aqui vemos há meses;
– O diabo é o diabo não porque é sábio, mas porque é velho;
– Espero ter chance de ver outras caras em campo: Luis Otávio, Romero e até mesmo o Gustavo Prado com alguma perspectiva;
– Não morro de amores por castelhanos, pero neste fandango, vamos todos a bailar o mesmo tango!
PERGUNTINHA
Dias melhores virão?
Haverão de vir, Nação Colorada! Haverão de vir…
PACHECO