De início – quando da minha chegada à Capital – dormia numa Pensão barata na Cidade Baixa pois sequer conhecia muito mais que o hoje chamado Centro Histórico da Capital. Depois, para além da minha loucura pelo Internacional, no fundo eu sempre achei que meu conhecimento musical – embora modesto, ainda poderia me salvar nas horas de aperto em Porto Alegre; e foram muitos momentos assim. Pela música que eu consegui construir uma grande amizade e logo me arranjar num apartamento dum grande parceiro que preservo até hoje na minha convivência, em que pese a sua insistência em torcer pelo rival.
Nem todos são perfeitos, fazer o que…
Eu até não podia me queixar da vida quando conheci a minha Senhora, em que pese a verdade é que naquele tempo era, no máximo, remediado. O popular “não tinha onde cair morto”. Só que aqueles olhos verdes daquela morena de cabelo cacheado balançaram o meu coração de tal forma, que não casar com tal monumento de mulher estava fora dos meus planos. Eu era um Zé Ninguém, verdade seja dita, mas com a coragem na ponta dos cascos e um violãozinho surrado pronto para uma última serenata.
Então, que fosse em homenagem a futura minha prenda.
O Sport Club Internacional venceu seu jogo pela Copa do Brasil, ontem, o que até pode ser surpresa para a grande maioria, seja pelo nosso patético histórico de fiasqueiras quando o assunto é essa competição, seja o vexame último, em casa, perdendo para o lanterna do nacional. Fez uma primeira etapa amorfa, impondo uma vez mais a sua falta de qualidade e vontade que tem sido uma característica – quase que até nas vitórias – e tomou um gol que é a cara do time atual: uma película dos Três Patetas.
Ainda que a arte, neste caso, não imite a vida e ao invés de rir com os filmes históricos a vontade que dá é de chorar com os gols que o Inter toma.
O empate meio que no modo “upa upa” ainda no primeiro tempo ajudou, pois não precisamos voltar depois do intervalo com a pressão de correr atrás do placar. E todos sabemos como é o time Colorado sob pressão… A virada não tardou a vir já que o volume de jogo potencializava isso, mas tirando Bernabei, Bruno Henrique e o bom camisa 5 Villagra, todo o restante do time parece restar contente com o pouco, com uma magra vitória contra o poderoso Athletic Club de Minas Gerais – jogando no nosso quintal Santa Catarina.
Parece-me cristalino que não há ambição na mente da maioria destes boleiros que hoje vestem a camisa do Internacional. A vontade e a gana, pois, resiste tão somente a primeira encruzilhada, seja nas vitórias ou mesmo nas derrotas.
Pêlo duro e bombachudo, nascido e criado num fundão de campo, meio que desprovido de beleza, ainda por cima, alternativa não me restava senão a ambição de conquistar aquela morena dos olhos verdes. Até para se criar coragem é preciso ter a ambição da conquista. Minha ambição levou a Dona Mari ao altar e eu posso dizer que a minha família é a glória que eu sempre quis ter nas páginas da minha vida.
Quem sabe com um pouco de ambição, mesmo que com um futebol capenga, o time do Internacional possa alcançar sua própria glória e cativar assim uma história nas páginas do Campeão de Tudo.
CURTAS
– Pezzolano quando foi honesto ao dizer o que nos resguardava a temporada, fez-me concordar. Só que já estou temendo que isso esteja virando sua própria muleta;
– Confusas e muitas vezes incoerentes suas escalações e ainda mais desalentadoras as substituições. Com o tempo passando a coisa já deveria estar bem mais alinhada;
– Anthoni, Maia e o próprio Alan Patrick tem deixado muito a desejar. Ontem, até mesmo Bruno Gomes não foi bem;
– Sempre tive em Rafael Borré um jogador interessante, brigador. Mas, na bola, a coisa nunca funcionou e temo que assim permanecerá até o fim;
– Logo, alguns processos precisam ser encerrados para que outros novos possam surgir;
– A campanha vexatória do time sub 20 na segunda divisão nacional é caso de derrubar não só o diretor, mas também o Presidente do Clube;
– Ainda restam 6 jogos pelo Brasileirão antes da Copa do Mundo e o foco é reaprender a vencer em casa, garantindo alguns pontinho fora também. Vergonha na cara, aliás, caminha sempre junto com a ambição.
– Sport Club Internacional só existe e resiste por causa da sua torcida. É o Clube do Povo e não de uns e outros.
PERGUNTINHA
Desta vez nosso destino na Copa do Brasil será diferente?
Vencer e jogar bonito é sonho ainda muito distante. Seguimos bem acordados por enquanto.
PACHECO