Já não recordo da última vez que um jogo da Seleção Brasileira conseguiu tomar o meu tempo. Tanto por isso, não me julguei capaz de opinar aqui sobre o assunto ou mesmo sobre a Copa do Mundo. Não assisti nenhum jogo, a rigor, e sequer me penitencio ao reconhecer isso. Em verdade é que o futebol vai muito não me encanta e sigo insistindo neste carma chamado Sport Club Internacional só por isso mesmo: carma.
Nada de racional justifica algum ideal de sanidade em torcer para o Inter.
Depois de duas décadas na repartição e já adestrado – ou seja, cansado de dar murro em ponta de faca, entendia que era chegada a minha hora da tão merecida promoção. Eu sempre fui genioso, mas não desordeiro. E apesar das minhas imperfeições – muitas confundidas como manias, não há uma só voz capaz de confrontar a realidade daquele tempo: era trabalhador, sério e deixei mais saudade do que desilusão por onde passei. E por tudo isso eu tinha certeza que a minha promoção viria.
Saí de férias, em fevereiro como quase sempre, não sem antes amealhar das poucas coisas que detinha em uma gaveta sem tranca e me despedir, ainda que informalmente, da querida Sirlei que sabia lidar comigo como poucas. Ao menos na minha mente, eu já voltava em outro posto e com isso em outra cidade e região. Mudanças nunca foram problema para este que vos escreve; parei de contar quando alcancei a segunda dezena delas. Só que a coisa não aconteceu e ao final do período de afastamento eu não tinha nenhuma novidade na minha vida profissional.
Nada para além de uma frustração retumbante.
Talvez minha última atenção dada a Seleção Brasileira tenha sido em 2006. O time no papel era melhor do que em 2002, quando fomos penta. O hexa, pois, era uma realidade palpável. O time em campo, fracassou, todavia. Disseram depois que o ambiente de festa e o clima de já ganhou acabou contaminando o grupo de craques (sim) e outros tantos jogadores de nível. Dias atrás assisti parte de uma entrevista do Fernando Carvalho e, quando questionado sobre o fiasco contra o time africano em 2010, também creditou o revés ao clima de “já ganhou”.
Falo disso porque eu também criei, naquele mesmo ano de 2006, o clima de “já ganhou” na minha mente, achando que a promoção era uma certeza pelas glórias dos serviços prestados à repartição. Esqueci que de outro lado haviam pessoas, frustradas ou não; invejosas ou não; a quem dependia o regozijo da minha existência e vitória profissional.
E como o meu carma parece ser mesmo o Internacional, segui nestes últimos 40 dias ou mais, acompanhando as histórias e notícias malfadadas acerca do nosso Clube, sem esquecer da posição ingrata que estamos na tabela e lembrando agora, principalmente, de que semana que vem o desalento da mediocridade da bola estará na ativa novamente.
Um adelante sofrer de meses, possivelmente, com a sensação perene de que é só mais uma “volta de quem não foi”.
CURTAS
– Pezzolano segue no Clube. Contudo ainda me intrigando, pois é muito difícil entender o que passa por sua cabeça sobre o conceito de time;
– E, com isso, coloca uma espada no seu próprio pescoço e cria uma fama não tão injusta de Professor Pardal. As últimas derrotas estão na sua conta;
– Rochet estaria lesionado novamente. Beira o surreal e ao deboche;
– Há dois meses eu reiterei aqui que a preparação dos nossos arqueiros era claramente deficitária e, ao menos nisso, a direção reconheceu;
– Se confirmar esse goleiro que vem de Minas Gerais estaremos, sob novo prisma, diante de algo que beira o surreal e o deboche;
– Já tratei de me conformar que só traremos jogadores em negócios de ocasião e se não envolver dinheiro na charla. O que muitos adjetivam por “refugos”;
– Todos olhando a Copa e eu atento ao nosso time sub-20. O ganês Denis Marfo, volante de origem, se mostrou um valoroso lateral direito. Traz para o profissional e com isso devolve o Bruno Gomes à meia cancha;
– Zagueiro Chileno ainda não me empolga. Falta um quarto zagueiro de estofo;
– Centroavante tem que ser matador. Pouco importa se fala, é caolho ou manco. Tem é que saber fazer gol. E só;
– Borré se foi; Tabata parece que também. Duvido alguém sentir falta. E cabe mais gente nesta barca;
– As notícias apenas reiteram o fundamental: nosso foco é chegar aos 45 pontos no certame nacional. E só.
PERGUNTINHA
O que esperar do nosso time, Colorado?
Vamos por mais, na base da fé e esperança; e cientes que o nosso inimigo segue sendo o mesmo.
PACHECO