Vivi o suficiente para fazer muitos negócios ruins, para deixar criar em mim muitas manias e para adquirir alguns vícios caros. Não direi que o Internacional chega a ser pra mim um vício, todavia, como bem diz o poema de Jayme Caetano Braun que “o vício é que nem sarnoso, nunca para e nem se ajeita”, logo, negar que este amor bandido, locou e quase que nefasto pelo Gigantão da Zona Sul se assemelha a uma obsessão, seria lutar contra a sensatez. De toda a sorte, ao vício caro a que me retrato agora é no meu particular gosto por carros. E eu já tive muitos.
Uma coisa que eu aprendi, nestes anos todos, é que sempre que tive particular interesse num modelo, cuja compra foi barrada pela total ausência de poder aquisitivo naquele momento, cumprir o “sonho” a posteriori é sinônimo de prejuízo. O mais marcante se dera quando adquiri um Chevrolet Astra, no ano de 2013. Antes, contudo, é preciso retornar até 2007 em que eu estava num momento complicado na repartição, na iminência de mais uma transferência ao interior – desta vez pleiteada por mim. Não impediu, todavia, de muito namorar um Astrão na vitrine da Simpala da Silva Só. Só que eu tinha uma mudança para fazer e mesmo que desconsiderasse isso, era muito carro pra pouco cobre na minha guaiaca.
Aí em 2013 me apareceu um dinheiro inesperado e nem pensei duas vezes: fui atrás do Astra, para executar do meu sonho. Comprei um 2011 – último ano de fabricação, cinza, lindaço e top de linha. Com dois carros na época, eu tratava aquele Astra como um bibelô. Para tirar da garagem tinha de haver um evento que justificasse. Pois bem: primeiro fiquei empenhado em Torres; depois foi a bobina do ar condicionado, então o compressor, aí apareceram pontos de ferrugem nas portas e, por fim, quebrou a caixa, e olha que era manual. O Leandro, meu mecânico de sempre – da escola do exército brasileiro, até hoje não explica como aquilo aconteceu. Em março de 2015, já desgostoso com o veículo, vendi. Nem por isso, até hoje, aquele carro ainda deixe de me trazer suspiros de saudade…
Este é o maior exemplo de que o que muito queremos num momento específico da vida, se não foi possível ali mesmo, deve ser deixado pra trás. Não era pra ser e pronto.
Pois entra e sai direção no Internacional e seguimos com “sonhos” tresloucados de jogadores que nem são tudo isso para o fim de justificar tanto empenho em suas contratações. Não vou me apegar a nomes, mas todo o torcedor há de se lembrar de alguma novela envolvendo este ou aquele, temporada após temporada, que quando finalmente alcançado o capítulo final, começou ali um novo folhetim. Sempre com final infeliz, invertendo a lógica da coisa.
Aliás, este é o prazer preferido do Inter em detrimento ao nosso sofrido Torcedor Colorado: finais infelizes.
Vejam que eu aprendi com a minha sina em que pese, ainda – vez ou outra, flerte com a esperança de que possa não acontecer de novo. A atual Diretoria do Internacional, porém, parece não padecer do mesmo momento de lucidez, quando cogita jogador bichado ou sem estofo para envergar nosso manto, arrasta negociações querendo sempre uma vantagem a mais – quando os jogadores já deveriam estar aqui, bem como segue a fazer vistas grossas para o trabalho de uma comissão técnica que, a cada partida ou uma nova entrevista, parece deter convicção em seguir desempenhando mal o seu papel.
Diz o cancioneiro gaúcho que “cada um tem sua sina, não se faz tudo o que quer”. A sina do Torcedor Colorado, logo, parece se renovar a cada nova temporada.
E que sina!
CURTAS
– Professor Roger Machado visivelmente está enganado com o próprio discurso de que o caminho é o certo e que apenas pedras nos atrapalharam;
– Como já disse aqui, vencemos o Gauchão pois esticamos a corda até o limite e, com isso, o time agora tem demonstrado as consequências físicas e emocionais disso;
– A impressão que passa é que os jogadores entendem que já cumpriram seu papel na temporada e agora é só esperar dezembro;
– Bruno Henrique titular por gestão de grupo, se for isso mesmo, é um sinal de fraqueza do Comandante;
– Todavia, é de se reconhecer que a ideia de 3 zagueiros até não é ruim. Principalmente quando não temos mais Fernando e parece que não vão trazer alguém para seu lugar;
– O zagueiro Sampaio sequer futebol tem no corpo para jogar uma Série A. Improvisar lateral porque o reserva não serve é causa e não consequencia;
– Falando em primeira divisão, é sério o risco do time Sub 20 cair para a segundona nacional. Vexame retumbante;
– Culpa daquele argentino Grossi… opa! Engraçado que o discurso xenofóbico todo mundo esqueceu e da fisqueira dos juniores em campo ninguém fala;
– Da minha parte, não consigo pensar em Copa alguma enquanto estivermos capengas no Brasileirão;
– E para ajudar, não consegui ainda botar a cara no sistema para voltar ao Gigante da Beira Rio. Tecnologia não combina com gente velha!
PERGUNTINHA
Acreditas na volta por cima, Colorado?
Se nossa sina é sempre acreditar, paciência. Vamo, vamo Inteeerrrr!!!
PACHECO