A HORA DOS GOLS

O grande barato da vida é ter histórias para contar. Boas ou ruins. Em tempos rasos de alegrias fúteis e inverídicas através de momentos quase sempre falsos das imagens “postadas” nas redes sociais, ainda acredito que contar histórias ainda é a melhor forma de falar da gente. E se hoje me basta saber colocar a senha certa para cá estar tratando de causos com os nobres Colorados que frequentam este espaço, noutro tempo a coisa era muito mais trabalhosa.
Minha gente, como já muito abordei aqui, é toda dum fundão de campo. Pelo lado dos pais do meu pai, tinha uma vila criada – ônibus com linha, agência simplória de representação dos Correios e, no mesmo local, uma linha telefônica do município que funcionava quando queria e, vez ou outra, servia para falar com minha mãe (o pai nunca quis saber da tal tecnologia). Ligava, falava com Dona Vera – a telefonista, e combinava um horário para ligar de novo: enquanto isso, Dona Vera cruzava a praça e andava mais um pouco até achar a Mãe por casa, que então voltava com a Senhora dos recados até a cabine telefônica e aguardava eu ligar novamente.
Os pais da minha Mãe, todavia, moravam numa fazenda, cuja estrada geral era quilômetros de distância da casa e falar com eles era uma aventura ainda maior: tinha de mandar uma carta dentro de um plástico (de saco de arroz ou açúcar) pelo ônibus, e antes disso convencer o cobrador da linha a fazer a gentileza de descer do ônibus e fincar a carta ensacada num preguinho junto ao moerão da cancela, que já estava lá para isso. Por vezes, levava dias até alguém vir à estrada e notar que uma correspondência ali aguardava.
Hoje, reclamamos de barriga cheia quando ligamos e alguém não atende na hora. Ou, vou além, em tempos de gerações que nem sabem atender uma ligação por telefone, a angústia é não ver dois risquinhos coloridos nas mensagens enviadas pelo zap zap.
Todavia, de lá para cá teve uma coisa que não mudou nunca: o futebol. Obviamente algumas tecnologias surgiram, muitas regras foram se alterando com o passar do tempo, mas para vencer ainda é essencial que o time faça mais gols que o adversário. E é nisso que o Internacional vem pecando, essencialmente, nos últimos tempos. E últimos tempos, leia-se, alguns anos. Não detemos um matador de verdade faz um punhado de horas; um daqueles com faro de gol, que fede a bola na rede, bola esta que procura ele de tal forma que basta bater no corpo do camisa 9 que entra de qualquer jeito na meta adversária.
Borré não é e nunca foi (ou será) este jogador. E o Mathias ainda não encontrou seu verdadeiro ponto de equilíbrio, neste sentido. É o que chega mais perto, se pensarmos na ideia de centroavante, contudo não tão perto.
E como o tempo muda, mas para vencer no futebol a mudança não ocorreu até hoje, fazer o básico – assim como era escrever uma carta, atar com cola branca e, sem esquecer do selo, enfiar no buraco na parede da agência para que a iguaria seguisse seu curso – agora precisamos unicamente é fazer gol, independente com quem seja.
O fato é que Vitinho, Carbonero e Alan Patrick são os goleadores do momento. O time, logo, tem de entregar a bola para estes três e jogar para estes três.
Esta é a hora dos gols! Pouco importa quem leve a fama, é a hora dos gols!
No mais, sigo com minha fé inabalável. Se rezar é preciso, vamos todos rezar juntos.
Inter por toda a vida.
CURTAS (e diretas!)
– Espero que a família Diaz apenas não atrapalhe o time. Simples;
– Outrossim, não espero mais nada de ninguém do time do Inter, que não gols e mais de uma vitória;
– Os problemas são muitos, eu sei, mas agora nada mais importa, senão os gols e as vitórias. Depois, vemos tudo do resto;
– Hoje só não é o dia, pois este dia será amanhã;
– Na cidade maravilhosa, haveremos de angariar uma maravilhosa vitória;
– Vamo, vamo, meu Inteerrrr!!!
PERGUNTINHA
Vamos todos rezar juntos?
O fim da agonia está próximo e, logo, voltaremos a sorrir (verdadeiramente) novamente. Fé, Colorados! Muita fé!
PACHECO
P.S. (em 28/11): O bom Siciliano levantou uma tese importante, em seu distinto comentário. Em que pese a ‘calvário’ eu tenha dado a percepção de ‘sofrimento’, para evitar interpretação que nos leve ao sentido oposto do pretendido, substituído o termo por outro mais adequado.
Dito isso, agora sim: É Hoje!