Barcelos ingressou como Presidente do Inter com a missão de se tornar inesquecível, e conseguiu.
Não é ele o responsável por montar piores times, sim, já tivemos piores; nem mesmo por contratos dos mais absurdos, já tivemos outros mais absurdos; mas é o responsável pela pior gestão, de uma forma geral, de todos os tempos, superando os Zacchia, e mesmo Píffero.
Independentemente do resultado, se rebaixado ou não (eu acredito que seremos), a gestão de Barcelos cometeu erros intragáveis, que superaram todos os acertos.
Não falo de contratações erradas, todos fazem isso, nem de desperdício de valores, todos os outros fizeram isso. Falo da recalcitrância de trazer jogadores incompatíveis com a forma de jogar do time, em suma, jogadores incompatíveis com o treinador.
Além disso, Barcelos sempre entregou o vestiário, seja a quem for, mas nunca o dominou, nunca esteve presente, nunca tomou atitudes de um líder eleito.
O jogo contra o Santos foi consequência, assim como os outros. Mas é fato que o Inter não tem goleiro minimamente confiável, zagueiros com velocidade, não tem volante substituto, não tem meia que chegue nas duas áreas, e não tem um centroavante finalizador. E, principalmente, não tem banco de reservas. É um time sem espinha dorsal, por isso os lados se movimentam bem, mas sem coordenação.
E não tem faz tempo, mesmo com toda a torcida dizendo o que deveria ser feito, mas torcedor não entende de futebol, embora esteja certo em 95% das vezes.
Pezzolano tem muita culpa no cartório, principalmente nos últimos jogos. Ele tinha acertado o time, Bernabei atacando, Vitinho defendendo, Villarga e BH marcando, Carbonero como último homem ou articulador, até Alerrandro fez alguma coisa nessa formação.
E o time parou de tomar gols bestas; Maripan foi um acerto na conta dos 5% de erro da torcida. Mas qualquer um seria melhor que Clayton, Juninho e Vitor Gabriel.
Aí desmontou o que funcionava, e inseriu Thiago Maia, que ninguém entende como e porque ainda está no Inter. 3 jogos com T Maia, 3 jogos em que o Inter toma 3 gols. Não é por acaso.
O segundo gol do Santos poderia ter sido impedido no campo do Santos, mas T Maia deixa passar, tira o corpo do contado. É um jogador que, repito, não tem passe, cabeceio, chute, não corre e não marca. Ao lado dele, um jogador que, como ele, achei que tinha sido relegado ao ostracismo que merece, o tal de Ronaldo.
No domingo, pela primeira vez na minha história, deixei o campo no intervalo, pois era impossível assistir Ronaldo e T Maia.
E havia opções. Sem Villarga, Pezzolano usou Paulinho. Se havia desgaste (e acho que sim), tinha outras opções, mas assim como o retorno de Alan Patrick (que, repito, acho que não deveria ter voltado), o elenco tem outras opções que não sejam jogadores absolutamente inúteis.
A gota d’água foi Sanabria. Não é um jogador ruim, nota-se que tem qualidade, mas, como todo jogador criado na base do Barcelona, não é finalizador, não é jogador de área, é jogador de toque e movimentação, tudo o que o Inter não precisava no momento. É tipo um cadeirante comprar apartamento no último andar de um prédio sem elevador.
Carbonero, contra a forte zaga do Palmeiras, conseguiu ganhar mais bolas longas pelo alto que Sanabria contra a fraca zaga do Santos.
Então são erros recorrentes, trouxemos atacantes que jogam pelos lados com um treinador que jogava com um fixo, deixamos os treinadores destruírem a evolução da base, queimamos jogadores em posições diferentes; enfim, erros em todos os momentos e sempre o erro maior de gerir um clube como se fosse um time.
Barcelos conseguiu seu intento, ser inesquecível, e o ano ainda não terminou.