Imagine a seguinte situação: terça-feira você chega atrasado em seu emprego e diz que chegou atrasado porque se desgastou demais pra entregar o trabalho do dia anterior.
Beleza, essa passa… Mas agora imagine você fazer isso o mês todo, o ano todo… os últimos cinco anos. Alguém imagina que seria tolerado muito tempo essa conversa? A menos que você seja o dono de seu emprego acredito que não. Francamente, nem se você for o dono, afinal, quem vai comprar o trabalho ou produto de quem não pode confiar?
Mas, incrivelmente, os dirigente acham que ainda aceitamos esse tipo de desculpa. Porque não é nada mais do que isto: escudo. Terceirizar a culpa pelos erros próprios, pela falta de empenho, ou, ainda, a mistura dos dois.
E o que vem acontecendo por conta disso é que vão matando a pata dos ovos de ouro. Na verdade não pedimos títulos. Torcida de verdade não vive de títulos. A torcida apenas se empolga com títulos. E quem com uma mente sadia e um coração apaixonado não se empolga com conquistas? Mas, o que a gente quer mesmo é simplesmente um bom desempenho. Aquele drible desconcertante para lembrar numa conversa de bar, por exemplo, ou ainda daquele jogo bem jogado esmerilhando o rival.
Ganhar títulos é consequência. Sinceramente, se um clube conseguisse ficar a parte da corrupção e montar uma equipe competitiva, que possua mais de um jogador em nível aceitável para cada posição seria imbatível no pífeo e amador futebol brasileiro. No mínimo sempre forte candidato a títulos e protagonista de jogos que todos gostariam de ver. Não a vergonha que é hoje.
Os que me acompanham a mais tempo sabem que respeito muito o nível de esforço dos atletas, sabem os mais antigos de que entendo o desgaste de cada jogo (imagina correr uma meia maratona a cada 3 dias)… Tudo isso é compreensível. Mas quando esses fatores são incontornáveis, o que deve superar as expectativas é o planejamento, o trabalho de suporte, a logística e o estudo adequado para compor o elenco do time… tudo sonho! Pensar nisso, no Brasil, seja no INTER ou qualquer outro time é apenas uma conversa de bêbado: longe da realidade.
É inviável comprar jogador de ponta? Pegar o Lewandowski pelo Gela numa troca mano a mano, sem volta em dinheiro não rola? Beleza! Perfeitamente compreensível, uma vez que nossa economia “não tinha uma meta, daí dobramos a meta…”
Daí o que pode ser feito? O que a maioria de nós, meros torcedores amadores diz: investir na base, não trazer medalhões a peso de ouro, não repatriar ex-jogador colorado e blablablá. Mas, NÃO! A solução é vender a primeira promessa que COMEÇA e a se firmar. Pra quê? Pra investir no time de base, descobrir novos talentos? NADA DISSO! Jogar pelo ralo investindo em nabas que até o mais alienado torcedor sabe que não vai vingar.
Uma hora a fonte seca. A torcida se desmobiliza e a fonte de dinheiro acaba se esvaindo. Assim, trazer nomes pra jogar na mídia e se manter como um ser que está buscando melhorar o time e torná-lo competitivo, francamente, eu me animaria muito mais a entregar o clube para alguém que seja bom no Cartola FC da RGT do que deixar um clube no caminho que está… Ainda mais o INTER. Porque alguém que manja e vai bem no Cartola sabe escolher muito melhor onde investir seus parcos recursos do que os dirigentes que parecem estar, também, brincando com dinheiro de mentira.
O que nos resta agora é esperar por bons jogos e o que vier a mais será lucro. Sempre com esperança, mas com a cabeça tranquila e a mente clara… Nada de fé cega, porque o INTER nos últimos anos tem uma habilidade ímpar em frustrar as expectativas dos mais otimistas.
E então, pra completar eu troco um pouco de assunto: o D’Alessandro, infelizmente, acaba de se aposentar. Estou louco? Não! É o que eu acho, afinal, uma hérnia de disco é uma lesão muito séria, ainda mais para um atleta profissional. Provavelmente ele não volte mais a seus melhores tempos. Algum gaiato pode dizer que ele já estava aposentado a algum tempo. Mais respeito! Ele fez mais pelo clube em seus anos de INTER do que a esmagadora maioria dos jogadores que a torcida foi buscar aos gritos no aeroporto e viu partir na maior discrição possível.
Talvez sabendo da proximidade do encerramento de seu ciclo no INTER ele jogou essa Libertadores com muita garra, apesar de eu não perdoá-lo por ter mandado reduzir o ímpeto contra o Tigres no Gigante, ele é muito maior do que o vemos agora. As próximas gerações lhe darão o devido valor. Não ficará com a memória empoeirada pela falta de títulos como seu ídolo Rubén Paz. Poderia ter sido maior e melhor? Claro! Mas nós mesmo poderíamos ter uma vida melhor e maior. Devemos aprender a respeitar o que as pessoas nos entregam de melhor. Comecemos pela bonita história que El Capitan escreveu no nosso clube do coração.
https://www.youtube.com/watch?v=vq2VOR3lLWY


