As vezes é preciso parar, sentar numa mesa e reorganizar a vida. Nisso, alguns rabiscos numa folha de papel podem representar o sucesso logo mais a frente ou, no caso de uma análise errada, apenas o começo de uma sucessão de erros – variações de desculpas para um mesmo tema.
Uma equipe de futebol não é diferente. Nada garante que se contratarmos o Messi para nosso clube favorito ele dê certo. As coisas na vida são caóticas, não de bagunçadas, mas da teoria do caos.
Dessa teoria, ou algo menos sofisticado como a nossa experiência prática, temos dados suficientes para provar que nada é previsível a longo prazo. Por exemplo, o pré-jogo do Eneas contando a história do Cruzeiro, mostra que pequenos detalhes trouxeram a uma sucessão de fatos que levaram o time a derrocada. O Cruzeiro poderia ser o maior time azul da capital ou, pior pra nós, poderia ter o tamanho do INTER e nós estarmos no lugar deles.
Tudo são, na verdade, pequenas escolhas. E nisso entra nossa realidade esse ano. Alguns esperam trocar de técnico pra resolver nossos problemas. Isso tem sido tentado como mágica todos os anos. De 2010 a 2015 tivemos 10 técnicos, motivadores, teóricos e distribuidores de colete de toda sorte:
(1) Fossati, El Gargamel uruguaio
(2) Roth (chego a me retorcer só de escrever esse nome)
(3) FALCON, The King
(4) Dorival Jr
(5) FernanDeus
(6) Dunga
(7) Clemer
(8) Tio Abel
(9) Aguirre, the magic
(10) Argel Fuck…s
Vocês acham realmente que tirar o Argel e trazer qualquer outro treinador vai resolver, digo mais claro, vai nos colocar num patamar diferente? Falo em algo concreto, coisa bem além da tradicional rotina de quatro ou cinco partidas de melhora. Acreditam mesmo com o elenco que temos hoje?
Falando em elenco, acho muito válida a ideia de usar a base. Todo juvenil teve de começar a jogar no profissional um dia. Então, nada melhor do que num campeonato regional para que, aos poucos, os jogadores peguem experiência e estejam preparados para um desafio maior. Assim, resolve-se dois problemas: enquanto o clube ganha tempo para esperar o retorno de marketing do Forlán, no próximo ano teremos a visão certa de quem dos mais novos podemos contar, sendo que a molecada terá algum lastro (experiência) para se apoiar nos momentos de maior pressão.
Assim, não tem sentido em pedirmos Guardiola e Messi pra que joguem gauchão, brigar pra ficar entre o sexto e oitavo colocado no campeonato brasileiro e depois ter de penhorar o patrimônio do clube. Troca de nomes tem tanto nexo quanto dar sapatos para cobra: inútil.
Precisamos de soluções efetivas. Assim, voltando a ideia de planejamento familiar, quando o orçamento é apertado, pra abusar dos prazeres da carne numa churrascaria a família tem de comer arroz com feijão algum tempo. Esse prato simples, no caso de nosso futebol, passa por duas ações, a primeira é economizar nas despesas com futebol (proibido contratar naba com salário de estrela) e a segunda é incrementar as fontes de receita, quer seja com novas fontes de renda, quer seja com ações (agora) inteligentes de gerar fidelidade do sócio, tornar o clube mais presente no dia a dia das pessoas, o que vai fortalecendo e valorizando a marca do clube ao passo que o torcedor e cidadão comum perceba esse valor em presença do clube além do dia do jogo. Espero chegar um dia que a simples visão do escudo nos traga mais sensações do que a simples lembrança de algum jogo. O caminho parece simples, mas tem muitos trechos que exigem esforço, foco, dedicação e trabalho redobrado. Nesse ponto que a maioria desiste é a hora em que os campeões aparecem.
Assim, o que precisamos é viver tempos adequados a nossa demanda, ou seja, dimensionar o custo do time a demanda que temos. Esse dinheiro guardado agora é o recurso que vai nos possibilitar o salto de qualidade logo mais a frente. Isso já foi feito antes, será que desaprenderam?
https://www.youtube.com/watch?v=l-eUufUZYgA
