Dizem que a dor ensina. Balela! Conversa fiada! Nem a dor, muito menos o prazer ensinam qualquer coisa a alguém. São apenas experiências que passam por nós que pra ter um significado precisam da nossa tradução, caso contrário é apenas a natureza seguindo seu rumo: fluindo.
Nada gratuitamente ensina alguma coisa. É o mesmo que eu acreditar que se colocar uma caneca de água quente ao lado de uma xícara vazia e de um vidro de café fechado vou poder provar a clássica bebida de origem árabe. Se a gente não for lá, por a mão e fazer as coisas nada acontece. Seja uma xícara de café, tirar uma lição de uma experiência vivida ou até mesmo um campeonato.
Ano após ano o Inter tem sido, desde 2010, a prova esportiva disso. Ano após ano, os mesmos erros deixam pelo caminho campeonatos pelo quase e pontos pelo descuido… isso acontece ao acaso? Não, isso acontece porque esperam que o acaso e a sorte conspire a favor baseando suas escolhas e decisões mais nos fatores aleatórios com aquele tempero de superstição.
Até religião vira uma superstição de luxo, com rito e dogma. Pois quando a mística dá lugar ao “fazer certo pra ter sorte e conseguir o que quer”, malandro, não é mais “religare” – conectar os irmãos a consciência divida, Deus, Arquiteto ou como queira chamar – é mero mercantilismo, uma espécie de escambo moral-religioso.
Sem trabalho não tem resultado. Não vou ser injusto, estão trabalhando. Mas o conjunto da obra até agora no campeonato nos faz crer que alguém não está levando as coisas devidamente a sério. Quando jogos contra times que brigam contra o rebaixamento passa a ser “confronto direto” e “jogo de seis pontos”, alguma coisa está muito errada nos rumos do maior campeão brasileiro na década em que nasceu o Campeonato Brasileiro.
Imagino quem senta na cadeira de presidente, na sua posição de excelentíssimo, nesse momento e em outros, acomodado em sua cadeira acolchoada revestida de couro preto olhando fixamente para uma xícara vazia, uma chaleira com água quente e um vidro de café instantâneo esperando que a natureza se arranje para fazer um bom café.
Isso abusa de nosso apreço pelo clube. Nunca cobramos campeonato, quem pensa isso está errado. Nós como torcida sempre esperamos que o INTER jogue no padrão máximo de qualidade que sua infraestrutura permite. Foi isso que Falcão e seus amigos nos ensinaram nos anos 70, foi isso que Fernandão e sua guerrilha nos ensinaram nos anos de 2005/06.
Oh! Mas que coincidência! Foram épocas vitoriosas… Não parece estranho que quando os esforços são máximos os resultados são grandiosos, no mínimo memoráveis? É estranho pra quem não conhece a natureza das coisas. Será que ainda precisamos explicar que pontinhos perdidos no meio do campeonato fazem MUITA falta no final? Depois não adianta reclamar quando tem de esperar por resultado favorável a nós de grêmio e corinthians… é o mesmo que eu esperar meu cachorro falar ou fazer um passo de “russian Cossaks’ dance”
Sabe, eu queria que muita coisa fosse diferente. Poderia fazer uma lista, mas as mais bobas que eu lembro agora: queria não ter quase dois graus de astigmatismo na adolescência, queria ter tido um dálmata, que o Senna ainda estivesse vivo, que o Fernandão não tivesse morrido… e a lista seguiria sendo ampliada.
Salvo não achar justo fazer um cachorro de quase dois metros que tem mais energia que um reator nuclear morar em um apartamento, a minha lista – acredito que a da maioria de nós – tem itens que não dependem muito da nossa ação. Daí quando a gente se depara com um potencial contido num clube como o INTER é mais ou menos como ver a Tati Zaqui (a de cabelo azul) vivendo funk (cantando, dançando, etc e tal). Qual a lógica? Ambos com muito potencial (ela é uma mulher linda), mas se jogando fora. Dá uma pena… Mulheres bonitas, assim como clubes de futebol, se bem administrados podem e são capazes de coisas inimagináveis.


