Não posso me dizer surpreso com tudo o que houve. Quando o Falcão foi contratado eu tinha uma sensação misturada com a alegria, uma incerteza talvez… “será que vai durar?”. Tinha tudo para dar errado e assim não decepcionou, deu errado.
Falcão ia iniciar um trabalho sem os principais jogadores, dois foram cedidos para participar do fiasco da seleção brasileira nas olimpíadas e o principal, Danilo Fernandes, entregue ao departamento médico não poderia seguir carregando o time nas costas. Para completar, reforços chegando sem ritmo de jogo e a cereja do bolo era Paulão e Muriel na defesa. Tinha tudo pra não dar certo, e assim foi.
Não chegamos nem na parte de capacidade técnica do Falcão. Nunca chegamos nessa fase. Para os dirigentes ele era o boi-de-piranha perfeito, para a torcida o eterno ídolo, pra a imprensa o caprichoso que insiste em ser técnico e para os jogadores um ET – educado, inteligente e que sabe usar o tempo certo das palavras? um ser de outro mundo!
O primeiro inimigo do Falcão sempre foi o próprio Falcão. Princípios e respeito não cabem na mesma frase que versa Futebol Brasileiro. Não querer expor aos fracos, preservar o seu ambiente de trabalho e fazer que as coisas funcionem são três coisas impossíveis de servir com o mesmo prato num INTER fragmentado, onde a foto do lado de uma menina safadinha na balada vale mais do que uma foto com a faixa de campeão. O Falcão deveria tentar começar a sua carreira de técnico no exterior. Aqui perdeu-se os princípios. O INTER está abrasileirado, não no sentido bairrista (tenho aversão ao bairrismo encardido de gaúcho), mas abrasileirado de seleção brasileira: a maioria virou uma espécie de vedete, fazem tudo para estar sob as luzes dos holofotes que o futebol as vezes até atrapalha. Os guris a gente até entende, é coisa da idade, mas homens velhos e vividos não tem nada que justifique.
Não lembro de ter escrito um texto para o BV com raiva, chateado ou triste. Consegui-se um alinhamento desses três astros hoje. Talvez tivesse acontecido esse evento logo depois da derrota para o Mazembe. Mas, não é que o presente explica o passado: o “mazembaço” não caberia em nenhuma outra gestão senão na do Píffero, não poderia ter outro comandante senão o Celso Roth… E os amigos estão todos juntosde novo! Que beleza!
<Modo Irônico ON> Agora, milagrosamente, brotarão reforços e a mesma força oculta vai fazer os jogadores reaprenderem a jogar. Aqueles que só cercavam os adversários vão aprender a disputar a bola e, pasmem, vão conseguir até ganhar algumas divididas e acertarem mais do que dois passes. Como que por encanto os jogadores do time adversário não vão mais ficar sozinhos na área do goleiro colorado. Como é impressionante essa ajuda cósmica! Só pode ser o dedo de Deus! Caralho! Estamos Salvos! Aleluia! <Modo Irônico OFF>
Conveniência um dos times com maior quadro social do mundo, dos que mais ganham com negociação de jogadores ter de se safar do rebaixamento? Não esqueçam disso nas eleições do final do ano, nem que enfiem na nossa cara a faixa de campeão do sistema solar. NUNCA esqueçam de tudo que foi feito errado.


