Adeus, Valencia

Enner Valencia está de saída, e o Beira-Rio respira aliviado. Sim, pode soar estranho dizer isso sobre um jogador que chegou como estrela internacional — artilheiro da seleção equatoriana, veterano de Copa do Mundo, salário de protagonista. Mas a verdade é crua: a relação entre Valencia e o Inter nunca saiu do papel.
Ele veio para ser o homem-gol, aquele que destravaria jogos truncados e faria o torcedor saltar da arquibancada com lampejos de genialidade. Em vez disso, assistimos a um atacante isolado, desconectado do coletivo, por vezes alheio à intensidade e ao clima que o Inter exige de quem veste sua camisa. Faltou entrega. Faltou sangue nos olhos. Faltou ser colorado.
A saída de Valencia pode — e deve — marcar uma guinada. Não dá mais para viver de nomes que brilham no currículo e se apagam no gramado. O Inter precisa voltar às origens: ser um clube que forja ídolos no suor, não no marketing. Precisa de jogadores que disputem cada bola como se fosse a derradeira, que compreendam o peso da camisa vermelha.
Com a folha salarial mais enxuta, abre-se espaço para iniciar a reestruturação financeira. Talvez buscar reforços pontuais e, principalmente, para valorizar quem demonstra vontade genuína de estar aqui. A partida de Valencia pode ser exatamente o impulso que o clube necessitava para reconstruir um ataque com DNA colorado autêntico. Talvez precise de um pouco de sorte nas escolhas. Mas, no final das contas, o que na vida não é (no fundo) uma questão de sorte?
Se ele não compreendeu o Inter, que vá em paz. O Inter permanece. E, quem sabe, emerge mais forte dessa lição.
De minha parte, não vou ser injusto. Ficam as lembranças das coisas boas! Quando digo coisas boas, falo especificamente do gol de falta no GRENAL da final do Gauchão 2025.
Obrigado, Valência! Que momento! Sucesso na continuidade de tua carreira, meu caro!