Pra torcedores com até 40 anos de idade como eu, determinadas façanhas do Inter só puderam ser conhecidas pelo relato de parentes mais velhos, ou através dos livros. Uma das minhas lembranças mais antigas data de 1979, quando na tenra idade de cinco anos, saí com todos meus irmãos a bordo de um Dodge Dart pelas ruas de Porto Alegre num domingo diferente, tremulando uma bandeira colorada e buzinando sem parar. Eu ainda não sabia, mas naquele dia o nosso time havia conquistado definitivamente o Brasil com um título que depois de quase quatro décadas ainda insiste em desafiar a todos: campeão brasileiro invicto!
O primeiro semestre colorado foi desanimador, com a derrota no regional e uma humilhante terceira colocação. A contratação do centroavante Bira foi a única de relevo para a disputa do certame nacional. O azar foi tamanho que o nosso 9 lesionou-se logo no início da competição. Mas aos poucos, com o andamento do Brasileiro, percebia-se um viço e uma combatividade que poderiam levar o Internacional longe. Prova disso foi Valdomiro jogando lesionado uma partida decisiva contra o Cruzeiro no Mineirão, vitória nossa por 3×2 e com gol do ídolo. Além disso, se o time principal não exibia a exuberância de 1976, tinha um meio-campo brilhante: Batista, Falcão (que sem Carpegiani e Figueroa, veio a se tornar a referência técnica maior daquele Inter), Jair e Mário Sérgio.
As finais contra o Vasco da Gama foram mais tranquilas do que ameaçavam ser: mesmo sem Falcão e Valdomiro, jogamos no Maracanã como se fosse nossa casa. O ponteiro direito Chico Espina fez a partida da sua vida e vencemos por 2×0, o que nos permitiu administrar uma vitória sem maiores percalços em Porto Alegre por 2×1. Tricampeões nacionais! No cartel 16 vitórias e sete empates, numa campanha até hoje (e provavelmente pra sempre) inédita no futebol brasileiro. Não por acaso, fomos eleitos por jornalistas de todo país como o time da década de 1970, trazendo pro nosso estado os olhos dos amantes de futebol de todo lugar. O Rio Grande do Sul adquiria relevância futebolística definitivamente.
Essa bela camisa da Adidas foi usada naquela campanha por Mário Sérgio, o Vesgo, só contratado naquele ano por grande insistência de Falcão junto aos dirigentes. Sua atitude se provou acertada, pois o camisa 11 foi fundamental naquela campanha atuando como falso ponta-esquerda; alguns anos depois o próprio Mário presenteou seu amigo o goleiro Bagatini (também participante daquela conquista) com esta camisa, que recentemente foi adquirida para meu acervo.




