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Concluí no contexto do meu ócio (meio) criativo que não poderia falar de filmes por aqui sem falar de livros. Ora, sou dum tempo em que o rádio servia pra trazer informações e futebol, televisão ainda engatinhava e não era todo mundo que podia ter uma, jornal no interior chegava com quase uma semana de atraso. Com internet ninguém sequer sonhava. Cabia, então, aos livros o verdadeiro saber; a possibilidade de viajar pelo mundo imaginário das histórias sem sair do lugar. Foram os livros que impuseram os sonhos da minha mocidade. Aliás, por falar nisso, preciso esclarecer que minha vida é formada por dois tempos: mocidade e velhice. Não sei ao certo quando terminou uma e começou a outra, embora muitas vezes tenha quase certeza que ambas coabitam em mim.

Como um bom bairrista que sempre fui, obviamente meu escritor preferido foi e continua sendo Érico Veríssimo. Aliás, não conhece o Rio Grande de verdade quem não viajou por esta terra de tanto chão batido partindo ao menos uma vez do “Sobrado”. Não tive a petulância de um dia pensar que poderia ter sido um Capitão Rodrigo Cambará, mas me contentava em ser um amigo próximo, confesso; um Juvenal Terra da vida… Pois na literatura de Érico eu aprendi sobre política do Rio Grande, sobre o que representa uma família e como objetos podem personificar momentos da nossa história. Diverti-me também com histórias que vagavam entre o cômico e o trágico, tal qual ilustrado nas páginas de “Incidente em Antares”.

O mesmo divertimento não resguardo assistindo o Internacional tentando (sei lá eu se tenta mesmo) desempenhar algo que de muito longe é parecido com futebol, ainda que se possa dizer que o Colorado em campo é algo que caminha entre o cômico e o trágico com garbosa desenvoltura. Vi times sofríveis é verdade, mas que mesmo naquela imensidão de clara ausência criativa motivada por jogadores ruins, parecia ter muito mais propósito que os mesmos de agora. Não temos um presidente que saiba domar um vestiário combalido, um vice de futebol que entenda da matéria e, principalmente, um treinador que saiba onde está e o que está fazendo. É simples e direto assim.

Certa feita, motivado pela Rejani – colega de repartição, fui apresentado a um escritor português chamado José Saramago e seu “Ensaio Sobre a Cegueira”. Um romance que claramente, através de misteriosa cegueira da população, busca expor de forma contundente as mazelas da sociedade como poder, ganância, desejo, vergonha; dominadores, dominados, subjugadores e subjugados. É um sinal de alerta, ao fim e ao cabo, da necessária revisão de valores que precisamos conjecturar enquanto humanidade; enfim…

Contudo o assunto aqui é o Internacional. Tal qual o livro do Saramago que manteve uma única alma misteriosamente enxergando, temos no Colorado, na figura do Presidente, supostamente o ser que ainda deveria estar enxergando num ambiente de cegueira deliberada. A questão, baseada no ditado popular, que ‘em terra de cego quem tem olho é rei’ é que talvez Barcellos tenha chego à condição de monarca muito antes de estar preparado para isso, talvez. Rei ou miserável de lucidez, portanto?

Leiam mais paysanos. Leia mais Presidente, sobre aqueles que entendem de futebol e são vencedores. Acredite, pode ser uma grata inspiração. Para ti e todos nós Colorados.

 

CURTAS                                                                              

– Repiso o que disse aqui após o último clássico: Cacique tentou, convenhamos. Não conseguiu dar melhor rumo aos seus índios. Ao fim e ao cabo, todavia, vai ter de flechar em outra tribo;

– Bem o mal o time do último jogo tinha mostrado algum repertório. Aí como a lógica parece passar distante dos olhos azuis do Medina, foi lá e inventou Mercado de lateral esquerdo;

– Treinamento demais, pelo visto, é um péssimo conselheiro;

– Falando em olho azul, Caio Vidal é igual olho azul em mulher feia: camisa nova e bonita vestindo esse vigário da bola nada mais é que desperdício e insensatez;

– Taison voltar a campo no segundo tempo apenas para botar a braçadeira de capitão no braço do Edenilson foi uma das coisas mais patéticas que vi em mais de 70 anos vivendo futebol;

– Não ganhar do time amador equatoriano é o mesmo que perder. Aí, como não basta o não quando se pode buscar a humilhação, o defunto Rodrigo Dourado foi a campo como solução e a derrota nos foi de goleada;

– Érico e seu Incidente vivem no Beira Rio, que nada mais é hoje, senão a própria Antares!

 

PERGUNTINHA

Há luz no fim do túnel?

 

Fé, Povo Colorado! Muita fé!

PACHECO

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