* Imagem de capa: fonte.
Fim do desvio
Bem, agora acredito que a brincadeira acabou. Espero que Aguirre, jogadores e torcedores que vinham até aqui justificando o injustificável tenham finalmente concluído que acabou o tempo das justificativas. Acabou o tempo das desculpas. Acabou o tempo das experimentações. Acabou o tempo das férias. Não há mais tempo hábil para errar. Temos apenas 10 dias para o jogo mais importante do ano e estamos com o time em frangalhos. Estes mesmo 10 dias, porém, se bem utilizados, podem ser suficientes para nos dar uma chance de seguir em frente na LA. Para isso acontecer, porém, será preciso que o time se cale e trabalhe como nunca. Terão que aceitar a merecida avalanche de críticas que estão vindo e continuarão a vir.
Mea culpa
Claro, não é porque eu venho avisando há tempos que o Inter desandou. “Sou apenas o mensageiro”, como disse Cypher, em Matrix. Só vi o que qualquer um veria, se despido da paixão cega. Mas, por outro lado, me sinto culpado por ser um dos porta-vozes dessa cobrança para que o time de Aguirre tivesse mais posse de bola, que soubesse cadenciar o jogos, que não nos fizesse sofrer tanto. Sim, junto com os demais que clamaram por isso, sou culpado. Culpado por não entender que, seja por compreensão ou por acidente, Aguirre tinha entendido que a única chance do time vencer a LA era jogando atrás, como time pequeno, dando a posse de bola ao adversário e saindo no contra-ataque. De fato, só assim conseguimos bons resultados esse ano quando jogamos assim. Veja, falo de “bons resultados”, não de “bons jogos”. Mas, nesse momento, tenho certeza que 100% dos torcedores querem RESULTADO. A LA está por um triz e, então, que se exploda o bom futebol. Aguirre, retome sua proposta de jogo original, você estava certo, cara. O erro foi meu e de tantos outros que acharam que tínhamos técnico para fazer o time jogar com a bola. Não temos e, verdade seja dita, estes são extremamente escassos e caros.
Nada a perder
Eu estaria mais chateado agora, se estivesse como muito torcedor por aí, acreditando em mágica, se sustentando em “se’s” e em “quando’s”. Mas, já antevendo o momento atual, chego aqui calmo o suficiente para dizer: não temos nada a perder, então vamos pra cima com o que temos. Até 4 meses atrás, nossa meta era não fazer feio na LA (tipo, passar das oitavas) e garantir o G4 no Brasileirão. Essa é a verdade. Todos nós queríamos um trabalho de longo prazo para Aguirre, para colher frutos só em 2016, diante dos imensos estragos feitos pela gestão anterior. Então, proponho colocarmos de lado essa “sensação de favoritos” e jogarmos como azarões que somos de fato. Nunca fomos favoritos, pois ainda temos várias deficiências no elenco e um técnico mediano. Se aceitarmos isso, podemos nós e os jogadores, ir para os próximos jogos mais conscientes e libertos da pressão. Aí sim, teremos alguma chance.
Longo prazo
Bem, isso me leva ao final do texto de hoje. Quando eu me liberto dessa “sensação de que é agora ou nunca”, consigo ver claramente a importância de ter paciência. Aguirre é teimoso, mas não penso que seja burro. Então, que ele tenha tempo sim, obviamente, desde que o Inter melhore no Brasileirão. Que ele possa, nesse caso, ter 2 anos para desenvolver seu trabalho, para aprender com os erros, para conhecer de vez jogadores que ele incrivelmente parece ainda não conhecer. Acredito na capacidade das pessoas de crescer com seus erros, de evoluir. E, se mantê-lo (com cobrança!) significar perder qualquer título decente este ano, que seja. Nada impede que os consigamos no ano que vem. Vamos fazer um esforço para controlar nossa ansiedade, enquanto torcedores e dirigentes, e vamos fazer o que é sensato. Se Aguirre conseguir acertar os rumos no Brasileirão, deve ficar sim.