pré.s: Jonatammm me chamou a atenção para um detalhe importante. O texto abaixo vai como um complemento ao texto do Louis de ontem (“Os culpados”). Nada do que está escrito abaixo invalida as outras responsabilidades envolvidas neste caso e que devem ser apuradas.
A foto do post (na entrada do blog) é do Valdomiro, um exemplo (entre vários) de que há sempre uma escolha em qualquer situação.
Quem aqui é psicólogo? Eu não sou. Por outro lado, vivi experiências suficientes para que eu pelo menos tenha algumas ideias à respeito.
Para mim, umas das coisas mais frustrantes para quem convive com e realmente tenta ajudar um familiar ou amigo com problemas psicológicos é a constante auto-sabotagem que estas pessoas cometem contra si próprias. Sempre que tudo parece contribuir para a superação de suas dificuldades, sempre que elas se surpreendem ao notar que tudo parece bem, elas começam a minar a situação até deteriorar tudo novamente. Vejo isso como consequência do medo de ficar bem, já que “estar bem” é algo extremamente raro na vida dessas pessoas. Nesse ponto, me parece muito com um vício, seja ele qual for: a pessoa acaba se auto-sabotando, ao propiciar situações que a façam cair na tentação de retomar o vício.
Auto-sabotagem. Fabrício se auto-sabota. Não bastassem as experiências traumatizantes que ele tenha tido na infância e outras que venha tendo atualmente, ele ainda joga água pra dentro do barco sempre que pode. E, sinceramente, duvido que venha fazendo a sua parte na luta contra seus problemas. Ouvi muitas coisas, mas não ouvi que ele venha tendo um acompanhamento psicológico adequado.
Aí, perguntam se devemos perdoá-lo? Então eu pergunto de volta: que diferença isso faz? Aliás, faz para quem perdoa. Eu perdoo, afinal, não quero ficar levando mágoas inúteis comigo. Mas e daí? Resolveu alguma coisa? Não e nem poderia.
Toda ação deve ter uma consequência e nesse caso específico, é preciso que o Fabrício siga seu caminho noutro lugar. Teve muito apoio até aqui, como vimos com Abelão, por exemplo. E isso tem que ser feito de modo justo, de modo que seja razoável para ambas as partes, Fabrício e o clube.
E, assim, tendo que arcar com as consequências, quem sabe o Fabrício finalmente perceba o quanto se auto-sabota e busque ajuda adequada. Dinheiro ele tem e isso FAZ MUITA DIFERENÇA. Quem já teve que procurar bons psiquiatras e psicólogos sabe o quanto são caros (eu diria inacessíveis mesmo). Mas não para o Fabrício.
Agora, se passarem a mão na cabeça, se contemporizarem, se tentaram justificar atitudes extremas, sinto pelo clube e pelo Fabrício. O clube estará dando carta-branca para todo tipo de comportamento inadequado, como aliás já vem acontecendo há alguns anos. Vai aumentar (pois já tem) a pecha de que não merece respeito, que jogador vem aqui e faz o que quer. Pelo lado do Fabrício, será mais uma confirmação de que ele não precisa mudar. Basta fingir, ir à imprensa, dizer que se arrependeu, errou, que não fará mais isso, blá, blá, blá. Até o próximo episódio. E o próximo e o próximo. Cada vez mais infelizes, cada vez mais danosos. Pois não se enganem, em geral isso só piora.
Portanto, torço (mas não acredito) para que a direção não titubeie e faça o que é NECESSÁRIO.
Pelo bem do clube e pelo bem da pessoa e do profissional Fabrício. Este rapaz precisa amadurecer, como não fez até hoje ou talvez não pôde fazer, por ter sempre alguém para livrá-lo das consequências de seus atos.