Enfim, depois de um longo jejum e com algum atraso, escrevo meu texto em comemoração aos 10 anos do Blog Vermelho. Antes de tudo, quero agradecer sinceramente ao Louis pelo privilégio de escrever neste espaço e, de alguma forma, me manter ligado ao clube, ligado a outros colorados e fazendo, afinal, história. Tantos colorados queridos já passaram por este espaço e tantos, espero, ainda passarão, cada qual deixando sua marca e sendo marcado pelas trocas com os leitores e outros colunistas. E, aqui, claro, deixo também meu agradecimento sincero aos colegas colunistas e aos leitores. Considero mesmo um privilégio saber que tantas pessoas reservam parte importante de seu tempo para ler e debater o que escrevo aqui.
São 10 anos de Blog Vermelho! Incrível, Louis. Eu realmente não sei como você consegue, pois sei quanto tempo você dedica ao BV. Considero o BV um espaço de referência na comunidade colorada e, talvez, seja mesmo uma exceção no Brasil, no que tange a espaços de torcedores. Pela própria dinâmica que o Louis dá ao BV, selecionando colunistas com diversos viéses diferentes, além de ele mesmo entremear as postagens com temas diversos e pontos de vista muitas vezes polêmicos, que nos fazem no mínimo pensar e muito, nos tirando um pouco da zona de conforto de torcedores acostumados com o jeito “Brasil” de ser.
Há 4 anos e meio escrevo aqui no BV! Hoje, dos colunistas ativos acho que só perco para o Davi, como o mais veterano. Muita responsabilidade, a qual, eu sei, venho deixando a desejar. É curioso, olhando hoje meus textos mais antigos, vejo o quanto meu estilo se perdeu nessa caminhada, com o decorrer dos anos. Certamente há vários motivos para isso, como o estresse com os anos finais do doutorado e as seguidas frustrações com o Inter e sua gestão. Seja como for, rever estes textos me fez tomar a decisão de colocar como meta para 2016 (entre outras pessoais) a de retomar um estilo similar ao que eu tinha antes, que era mais literário que o atual. Esperem mudanças para o ano que vem! 🙂
Foi meu primeiro GreNal e no Beira Rio! Viva o André Flores! Cara, você não imagina o quanto sou grato a você por essa oportunidade única e pela sua enorme disponibilidade. Foi muito especial para mim e minha filha, mesmo eu indo para esta viagem com um relatório importante por terminar e por isso ter pouco tempo para aproveitar a cidade e o entorno do estádio. Mas ainda vou marcar novamente, André, para ir aí e te acompanhar mais e entender mais do dia-a-dia do nosso clube. Me aguarde!
Apesar de breve, minha visita foi proveitosa. No sábado, no fim do dia, o André e sua noiva nos levaram em um “tour” pelo interior do estádio, onde pude ver de perto nosso gramado perfeito, visitar o vestiário visitante, a sala de imprensa e outras dependências do estádio. Que estádio lindo, senhores e senhoras! Sei que as arenas modernas devem ser impressionantes também, mas vendo o Beira Rio reformado, depois de ter conhecido o estádio antes da reforma, não há como negar que fizeram um belíssimo trabalho entre renovar e manter o velho espírito do nosso Gigante.
Nessa viagem, levei minha filhota de 4 anos e fui acompanhado ainda pelo meu sogro e meu cunhado. Quando soube que eu iria ao GreNal, meu sogro (vascaíno) não pensou duas vezes em me acompanhar, afinal ele diz que tem também uma simpatia pelo Inter. Apesar de cansativo para minha filha, que dormiu a partir da metade do segundo tempo, foi muito divertido. Ela até ensaiou seguir a coreografia da torcida organizada que estava à nossa frente. Que energia! Acho que vocês viram como fiquei pilhado no fim do jogo, pelo vídeo do André. Perdi a voz e vi claramente a enorme diferença que é ter uma torcida cantando o jogo todo. Das outras duas vezes que fui ao estádio e fiquei noutro setor, era frustrante ver a torcida calar depois de 30 segundos cantando e ficar aquela murchidão… Agora entendo a pilha do André nos vídeos que ele faz, pois você realmente fica energizado.
Creio que foi a primeira de várias visitas ao Beira Rio daqui pra frente. E isso me traz à conclusão desse texto sobre essa relação com o clube. Nosso time nos frustra a maior parte do tempo e essa é a sina de todos os 19 times da primeira divisão, exceto para o campeão, certo? Sim, deveríamos produzir muito mais. Sim, nossa gestão ainda tem deixado a desejar na parte do futebol, tendo feito pouco mais (chegando à semi da LA) que a gestão do Luigi. Sim, é impressionante ver como os vícios se repetem, entra ano e sai ano. Um time que morre no segundo semestre, que está sempre devendo no preparo físico, que é EXTREMAMENTE preguiçoso e seguidor da lei do menor esforço, enfim, que mais um ano se vai com o time fazendo menos do que podia e deveria. Sabemos de tudo isso.
Mas o que é a relação do torcedor com o clube, afinal de contas? É baseada nos resultados em si? Penso que para muitos, especialmente os que vivem distantes de POA, como eu, os resultados importam muito. Por isso fiquei bastante mexido com esta última visita à POA. Fica claro que há algo muito mais importante nessa relação e isso é essa convivência entre colorados que o estádio proporciona e que outros espaços virtuais como o BV também proporcionam em bem menor grau. Viver essa emoção do jogo, compartilhar isso com outros colorados, com sua família, desde a preparação em casa, a ida ao estádio e o pós-jogo, enfim. Este é o aspecto impagável, intangível e que realmente explica essa paixão pelo futebol. Sem isso, faz pouco sentido.
Por isso, espero que o clube invista cada vez mais na aproximação e participação da torcida. Fiquei orgulhoso por ver o André afirmar categoricamente que o clube quer ver o estádio cheio e que não vai entrar nessa de elevar preços dos ingressos. Isso é em parte se manter como um “clube do povo”, num país em que não há condições para gastarmos tanto com entretenimento. Que este espírito se expanda cada vez mais em todas as áreas e por todos os funcionários do clube, para que nunca percamos totalmente essa conexão do clube e da torcida.
Dá-lhe Inter e dá-lhe BV!


