Acendam todas as luzes e sirenes de alerta! Elevem o grau de risco para grau máximo, pois estamos à beira de um ataque terrorista no Beira-Rio. Há várias bombas sendo instaladas nesse exato momento, vindas de toda parte na forma de elogios, gracejos, “reconhecimento” etc.
E essa é exatamente a hora que uma auto-estima baixa e a necessidade de afirmação ferram com o potencial de um indivíduo ou de uma equipe.
A auto-estima baixa vai exultar com a enxurrada de elogios, vai se deleitar, se lambuzar e, enfim, fazer acomodar.
A necessidade de afirmação vai fazer mudar a atitude saudável de auto-confiança equilibrada, isto é, a ciência de suas virtudes na medida certa, para uma atitude de cobrança de reconhecimento pelos outros. Afinal, vocês falavam mal de mim, mas agora mostrei que sou o cara, não é!
Não, você não mostrou, Argel. Nem você, William. Nem você, Danilo. Nem Dourado, nem Sasha, nem Anderson, nem Alex, nem Ferrareis, nem ninguém.
Faltam 30 jogos e a liderança ao final para que vocês possam esfregar algo na cara de qualquer pessoa.
Ano passado, foi exatamente nessa hora que Aguirre e o time se perderam de vez. Aguirre ficou todo faceiro quando a imprensa passou de extremamente crítica para extremamente bajuladora. Foi visível a mudança de atitude dele, a necessidade de elogio, de afago. E assim com vários jogadores do time, Valdívia em especial.
É simples: ou você sabe do seu valor e de seu potencial ou viverá nessa eterna necessidade de auto-afirmação e nessa eterna vulnerabilidade aos elogios.
André Flores, dá o toque na direção, cara. É preciso um ótimo plano para lidar com o oba-oba natural em torno do líder.
A tecla continua a mesma: comissão e equipe limitados, corda esticada, absoluta concentração, candidato mas não favorito, foco jogo a jogo.
Pés no chão e um pouco atrás, não vai fazer mal a ninguém.