Sou um velho no tempo novo que ainda acredita que tem algumas tradições que nunca mudam. Caso do futebol, por exemplo. O futebol foi “agraciado” por tecnologias, regras novas, substituições quase infindas, todavia, o melhor time ainda segue vencendo mais. No futebol, igualmente, não são os covardes os premiados. São os corajosos.
Roger Machado, cuja doutrina futebolística atualmente é mera filosofia e discurso para encantar aqueles que lhe puxam o saco, há muito perdeu sua coragem. Se é que realmente algum dia foi agraciado por ela.
No início dos anos 2000 eu me senti alguém importante quando, finalmente, passei a entender como se fazia para mandar uma mensagem por e-mail. Não evoluí tanto desde então, ao passo que participar de grupos do zap parece que será meu ápice. Para publicar aqui, dependo dum filho ou neto. Não tenho Pix e o único cartão de crédito que leva meu nome é minha Senhora quem administra. Ainda ando com talão de cheque na minha velha e surrada ‘leva-tudo’ debaixo do braço; dinheiro, em espécie, eu também carrego.
Complica a vida quem quer.
Complica o futebol quem quer.
O Internacional, há algum tempo, complica tanto o futebol, cria tantos embaraços para fazer do básico do seu propósito que é fazer futebol, que perder em casa virou sinônimo de normalidade e viver de desculpa uma causa, quando por respeito à inteligência do Colorado, deveria ser – no máximo – a consequência.
E nesta multiplicação de nada vezes coisa alguma, o resultado da conta é o que vimos (já definitivamente) em mais uma temporada das tantas que só se repetem: uma vez mais no topo (ou no meio) chegaremos ao nada.
Sentados à beira do caminho.
No ápice das minhas lides campeiras no zap, vou tomar a licença poética de definir este Internacional – não de hoje, porém de algum tempo – naquilo que escreveu mais cedo o CRISTIAN, virtuoso, jovem e inteligente Colunista deste Blog Vermelho:
“O que incomoda não é perder. Ganhar ou perder é do jogo. O que incomoda é a forma como perdemos; a falta de reação dos jogadores; a passividade com o destino que eles mesmo construíram”
Bingo!
Sendo um velho no tempo novo, a verdade é que eu fiquei para trás.
Eu e o Sport Club Internacional. Sentados à beira do caminho!
CURTAS
– Roger Machado não é mais treinador do Internacional. O que falta, apenas, é saber quando terão a coragem de oficializar o inevitável;
– O futebol ainda é simples: os melhores devem jogar sempre, ressalvado aqueles casos em que, em uma ou outra posição, alguém é titular pela necessidade tática. O velho carregador de piano;
– Só que ninguém toca nada nesse time do Inter e o som que sai é desafinado. Logo, a tal gestão de grupo é uma falácia. O que o comandante quer é apenas garantir o seu emprego;
– Apesar do cansaço da viagem e do torneio nos States, adversário ontem teve mais perna que os nossos heróis. Tempo passa pra todo mundo. Passou pra mim e passou para o Paulo Paixão;
– Nada apaga seus feitos e a história do Inter lhe reverencia. Mas, ainda assim, o tempo passou;
– O time foi um amontado em campo e muitos ali nem poderiam sequer vestir a camisa Colorada. Todavia, se o problema é coletivo, muitos jogando pouco, a lógica aponta o dedo para um personagem, apenas;
– Ainda que o verdadeiro culpado seja eu, que votei duas vezes para Alessandro Barcellos como Presidente;
– Não seria ético e moral da minha parte, abster-me de tamanha blasfêmia. E infâmia;
– Zero chutes a gol no segundo tempo, ainda que perdendo em casa. Zero. Zero. Zero chutes a gol;
– Vamos por mais. Agora parece que a busca é pela humilhação;
– No meu tempo de fuzarca eu amanhecia na farra e dava conta das broncas que eu mesmo fazia. Mas, eu sou apenas um velho num tempo novo…
PERGUNTINHA
Em que sarjeta o Internacional se perdeu?
Da minha parte, pedir desculpas não concertará meus dois erros. Só me resta pedir a Deus um pouco de piedade para o moribundo Torcedor Colorado.
PACHECO