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Feliz daquele que tem histórias para contar. E qualificando a frase que muitas vezes já trouxe por aqui, feliz daquele que tem a felicidade de lembrar de boas histórias para contar. A memória na vida do velho, muitas vezes, é tão implacável quanto o tempo e o vento. Se vai, deixando um rastro de destruição pelo caminho.

Só que o tempo também traz sabedoria, não pra todos – é verdade, o suficiente para que se possamos entender, em algum ponto da vida, que a busca pelo passado é uma viagem sem volta: não encontramos as mesmas pessoas, os mesmo lugares, por vezes os mesmos caminhos. Não encontramos os mesmos sorrisos e nem a justificativa para o pranto, seja de alegria ou quem sabe até de desalento. Revisitar histórias é reviver, todavia é também não viver o presente e sequer dar uma chance para o futuro.

A nostalgia é mera ilusão da felicidade que, a rigor, já não mais existe nos dias atuais. O saudosismo é meio de vida que busca ludibriar o seu próprio fim. Revisitar o passado é quase sempre negar o presente e se esconder do futuro.

A busca pelas glórias do Sport Club Internacional, que teve em campo o Rolo Compressor, ou a máquina dos anos 70 – um dos melhores times do mundo ou, ainda, os grandes times vencedores neste século, é mera bengala para tentar seguir sendo um Colorado fervoroso, que tem o compromisso de não deixar esta ou as futuras gerações acharem que o futebol foi mero devaneio. Que o Inter é um mero devaneio. Que ser Colorado é uma mera escolha emocional, simplesmente para seguir o que fazia o avô ou o pai. Que é como estar numa parada de ônibus e embarcar naquele que está escrito ‘Internacional’ no itinerário, como se essa fosse a única linha possível e, logo, a lógica.

O problema é que mesmo a melhor memória, mesmo a mais altiva, ao revisitar momentos ao galope da nostalgia e do saudosismo, não encontra aquilo que propriamente já se foi, pois já não somos mais – evoluímos, melhoramos ou pioramos, aprendemos ou desaprendemos, construímos uma história pessoal agregando novos valores e precisamos entender que relembrar não é viver, mas as vezes tão somente se esconder. Sim, o hoje é o resultado de ontem, porém nada mais será como ontem. Não teremos mais um Rolo Compressor; uma meia cancha com Caçapava, Falcão e Carpegiani; um capitão como Fernandão. Um time imbatível.

Relembrar é sonhar, então? Quase isso.

Tudo que eu disse merece restar escrito dentro de aspas quando envolve o futebol. Não flertei com a realidade, eu expus a sua versão mais dura, que é aceitá-la. Entretanto, quando a realidade é revolvida com a mística do futebol e se resolve colocar um homem como Abel Carlos da Silva Braga naquela parada de ônibus, tudo pode ser revisitado. Recordar passa a ser viver, mesmo que por dois jogos; mesmo que sem futebol, mas sim, pela mística; mesmo que meramente tenhamos escapado pela aura gigantesca do maior treinador da nossa história. Pouco importa. Aqui a nostalgia e o saudosismo não vieram apenas me visitar, mas permitiram que eu tivesse mais um capítulo de história para contar ali na frente.

Feliz daquele que tem histórias e boas memórias para contar.

E se o Abel Braga não desistiu do Internacional, mesmo aposentado, não serei eu que poderei assim fazê-lo.

Afinal, é o Inter por toda a vida.

 

CURTAS                                                                              

Abel Carlos da Silva Braga. Nome, prenome e sobrenome registrado, grifado, marcado e remarcado na história do Sport Club Internacional. Colossal!;

– Tal qual o Tabata ao apito final do soprador, quisera eu abraçar o Abelão na beira do campo e, aos prantos, dizer “obrigado, obrigado!”;

– Passada a euforia do alívio, agora é juntar os cacos. E passar o rodo;

– Não me importa os nomes e a história no Inter, não poderia ter mantido ninguém do departamento de futebol mesmo;

– E isso não vale só para o departamento de futebol;

– Nossa sorte é que o lado de lá que adora contar vantagem em tudo, é sempre precoce em tudo também. Inclusive, para secar;

– E com a licença poética do verdadeiro imortal Quintana, à presidência do Clube eu apenas digo: “eles passarão e eu, passarinho”!

 

PERGUNTINHA

Vamos todos seguir rezando juntos por um bom 2026?

 

Minha fé inabalável se juntou com a tua. E ganhou o apoio imenso da fé do Abelão. Conseguimos, quisera o Patrão. Agora é juntar os cacos e recomeçar.

Feliz Natal Nobres Colorados do BV. E que 2026 seja um ano de recomeço: para eu, para ti e para o Internacional!

PACHECO

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