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Nem só de festa pra Santo vivíamos lá naquele fundo de Rincão da donde vim. Se é bem verdade que foram os bailes de antigamente que marcaram a vida e encheram de ilusão este meu coração que sempre bateu mais forte pela música, e pelo Colorado – obviamente, vez ou outra a arte itinerante – o mambembe como chamavam naquele tempo, também encontrava um pedaço de Brasil esquecido pela dita civilização.

E desta arte popular que buscava se apresentar em cada canto deste país continental, para este que vos escreve, nada nunca se comparou ao Circo.

Recordo com saudosismo, idos dos anos 1970, que enquanto o Internacional dava show diante do seu povo no Gigante da Beira recém-inaugurado, lá no Rincão aportou aquele que foi o melhor Circo que até hoje presenciei. E para além dos espetáculos e do talento do domador de leões (naquela época era permitido) que dava nome à companhia, recordo do palhaço antes do espetáculo e no breve intervalo que tinha entre às apresentações, passando com uma bandeja cheia de maça do amor. As moças ali daquele fundo de campo já alvorotadas com tudo “de novo” que o Circo lhe apresentava, suspiravam por uma maçã do amor. Ou quem sabe, mesmo, no “príncipe galanteador” que lhes daria tal iguaria de regalo.

O velho Circo que, como tal, é uma arte esquecida nos dias de hoje e para as novas gerações.

Esquecido, aliás, era o futebol do Internacional que desde a retomada do futebol vem conseguindo alguns lampejos, e já teve mais vitórias nos últimos três confrontos que havia tido nas onze rodadas dantes. Jogamos nada com coisa alguma contra os baianos, mostramos alguma coisa na primeira etapa contra os cearenses e, ontem, já consigo me esforçar (muito) a reconhecer uns sessenta minutos do esporte bretão em qualidade que assegurou o mínimo do razoável. Ainda parecemos com freio de mão puxado, todavia. Afora que a já costumeira sina de transformar qualquer gol num parto parece que não perderemos tão cedo.

Temos, logo, de nos acostumar a ideia de muitas e muitas goleadas de um a zero.

Na bola, apesar do ímpeto praiano dos primeiros minutos, quem “deu a bola” foi o Internacional que, numa jogada de videogame, iniciada com a saída para o ataque de Aguirre pelo flanco direito e encontrando num belo passe Alan Patrick, sufocado pela assistência pornográfica do nosso camisa 10 para que Carbonero recebesse a bola, botasse na frente, desconcertasse goleiro e zagueiro com uma finta de craque e marcasse o gol da rodada. Sair ganhando na casa do adversário, este numa situação mais periclitante do que a sua, é meio caminho andado.

A vitória poderia ter sido mais consistente, a pressão tomada no final – em que pese natural dadas as circunstâncias, não precisaria ter existido da forma como foi, culpa duma defesa para mim mal posicionada e um tanto quanto desinteligente algumas vezes, inobstante foi uma vitória e diante do quadro que se apresentava poucos dias atrás, é possível afirmar que o triunfo fora colossal.

Num dia dos namorados, já no frisson que se alcança a data atualmente, a festinha escolar de São João do meu guri mais moço se dera bem no dia 12 de junho e, dentre tantas outras guloseimas características deste tipo de evento, estava lá um senhor vendendo a “boa” e velha maçã do amor. Como o tempo era de vacas magras, tive um lampejo com aquilo, e comprei uma e dei de presente à minha Senhora. A sogra que para meu desalento estava junto, passou a rir da situação. Só que se perguntar à Dona Mari qual foi o presente do dia dos namorados que mais marcou esta nossa jornada de companheirismo, tenho certeza que apontará aquela maça do amor.

Em tempos de amor modinha em que inventaram até ‘morango do amor’ eu fico com o amor raiz. E em tempos de futebol enfeitado em que o bonito é fazer graça pro futebol europeu eu fico com o nosso Internacional, que pode não jogar bonito, porém sabe o caminho que precisa percorrer.

O Inter é como uma maça do amor, de valor inestimável e atemporal. E é dessas coisas que a gente nunca esquece.

 

CURTAS          

– Professor Roger Machado segue com medo de perder, em busca dum equilíbrio, e para tanto insiste em peças que já deram o que tinham que dar. Ou nem darão;

– Nosso Cafezinho é vocacionado à lateral. Thiago Maia, ontem, mostrou enfim a que veio. Confiança é bom, mas em excesso é perigoso. Victor Gabriel é jovem e terá de aprender isso;

– Já perdi a fé numa recuperação de Valencia, afora que tenho preferido o perfil de Borré. Mas o colombiano precisa de mais preciosismo na pequena área;

– Aliás, vitória “tipo Colômbia”;

– Contudo, apesar do golaço e da participação, ontem, ainda enxergo Carbonero como uma valiosa ‘arma de segundo tempo’;

– Luis Otávio, o Pastor, é no mínimo a primeira opção como centromédio. E Gustavo Prado tem de estar à frente de outros tantos;

– Digo e repito: o descenso do time Sub 20 à segundona nacional é um vexame retumbante, Vergonha para a história do Clube. Alessandro Barcellos como Presidente é um fracasso e uma grandiosíssima decepção;

– De volta ao profissional, ainda nos vejo capengas no Brasileirão. Vencer domingo é fundamental;

– Vamos por mais!

 

PERGUNTINHA

Gostaram do nosso “menino da Vila”?

 

Falo do AlanPa, é claro. Pena não ter feito aquele gol. Camisa 10 clássico e maçã do amor serão sempre eternos…

PACHECO

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