Meu Coloradismo certamente foi a mola propulsora para deixar aquele fundão de campo e migrar pra Capital. Não foi o envolvimento com a música, afinal lá pra fora eu já tirava uns pilas batendo serenata; tampouco só a ânsia pelo futuro, já que trabalhando no campo eu ia me judiar mais, mas nunca me faltaria nada também. E em sendo verdade que eu era um gaudério pelo duro, ainda que meio louco e esperançoso, a coragem até não faltava, mas o medo de ganhar o mundéu nem por isso deixava de bater à cancela da Estância.
Aí vem o Internacional na minha história: não me bastava ouvir das nossas glórias no rádio, eu queria ver o Colorado em campo. Não me bastava ficar sentado num cepo do galpão imaginando as jogadas de Falcão e Carpegiani na meia cancha, ou os gols de Claudiomiro e Dadá de cabeça, ou o talento e a envergadura de Figueroa na sua grande área. Eu queria e precisava estar diante e dentro do Gigante da Beira Rio. Viver o Inter era o último fio de coragem que eu precisava ter para botar o pé na estrada. E assim foi.
Quando eu morava na Capital a minha casa passou a ser pensão para os Colorados do interior que vinham para ver o Inter em campo. Quase sempre familiares, mas muitas vezes amigos deles que eu nem sabia que existiam. Minha Senhora quase sempre enlouquecida, tendo de dar pouso para todo tipo de gente, casa pequena e com um banheiro só… Mas no coração de Colorado sempre cabe mais. Aquela casinha virou ponto de concentração de Colorados e foi ganhando na vizinhança novos adeptos que se chegavam para torcer e vibrar.
Depois, já no Vale, aí foi eu que passei a ser um andante no rumo do Beira Rio. E desta prosa de hoje a lembrança surgiu, justamente, da foto que um patrício me mandou do velho Centralão com motor Mercedes, atrás, que muito nos levou até Porto Alegre, na linha via Estrada Velha. O caminho era o mesmo de sempre, porém a aventura era uma nova história a cada investida no percurso. Se a memória não me trai o ponto final era um guichê de lata quase na Praça na Chaves Barcellos e dali uma caminhada até o Glênio para pegar a linha “Futebol”. Quando estava muito concorrido, deslocava até a parada da Uruguai e ia pro Beira Rio de Assunção.
Estar no velho Beira Rio era uma alegria, cruzar pelos ambulantes vendendo fitinha de cabeça e almofada, a gurizada na volta pedindo refri… Comprar ingresso pros parentes na bilheteria do Gigantinho, subir a rampa 4 que na época eu preferia assistir da Superior… Tempo bom que não volta mais. Inclusive, de andar voando as tranças sentado em cima do motor do Centralão… pelo Inter!
Na volta, quase sempre, tendo de enfrentar uma aventura ainda maior. Piscar na saída do Gigante era o risco de não ter nem mais ônibus para regressar pra casa. Mas quando se retornava com uma vitória reluzindo na mente, nunca era custoso fazer destas loucuragens pelo Internacional.
Sem a chance de ver o time em campo, seja para se desalentar ou nutrir uma vã esperança de renascimento do velho futebol Colorado é a nostalgia que nos resta neste momento. Lembrar não só dos bons momentos, das grandes vitórias, do Beira Rio pulsando, gritando e vivenciando das nossas glórias, como também das excursões para chegar até lá e por todos aqueles que passamos e conhecemos ao longo do caminho.
Velhas e boas lembranças… Mas no coração do Colorado sempre cabe mais.
O louco, corajoso, batalhador, sonhador e sempre firme e forte Coração Colorado!
CURTAS
– Paulo Pezzolano é meio louco disso ninguém mais duvida e eu mesmo já afirmei aqui. Mas, não é burro. Sorte a nossa;
– Seu time parece que encaixou bem na ideia reativa dos jogos fora de casa. Só que no Beira Rio a coisa ainda está muito longe de restar mediana. Terá de encontrar, enfim, do velho e bom equilíbrio;
– Pra não dizer que só de flores vive o Gaudério, a participação do Internacional Sub 20 no Brasileirão da categoria – na vergonhosa segunda divisão, é algo que vai além do vexatório;
– E ninguém da direção se presta a tecer esclarecimentos disso. E o diretor de rede social parece ainda estar prestigiado. Incrível e perturbador;
– Boatos de renovação do contrato do Maia. É a velha encruzilhada do prejuízo com ele em campo ou do tufo caso não consiga arrumar uma barca que pague por ele;
– Sábado em horário de boate do Interior tem greNAL e com as queridas em volta, ou não, Clássico se ganha!
PERGUNTINHA
É também louco teu Coração Colorado?
Vamos por mais. Com pés no chão ou de Centralão, mas sempre com destino ao Gigante.
PACHECO