A diferença entre o jogo de ida e o jogo de sábado no Beira Rio foi a ausência de Bruno Henrique e Tiago Maia como marcadores, substituídos por Ronaldo e Bruno Gomes. O meio marcava em vez de correr atrás dos jogadores do Ypiranga.
Não significa que ache ser essa a dupla ideal. Não consigo ver bom jogo de Ronaldo, um jogador que se atrapalha com a bola, é estabanado e tem um potencial imenso para falhar em jogos importantes. Estamos no Gauchão, mas em jogo contra times no Brasileiro, Ronaldo levará, no mínimo, um cartão por jogo, afoito na marcação.
Mas essa simples diferença deu ao Inter uma superioridade gritante, mesmo que o Ypiranga quase tenha aberto o placar e falha da defesa, que tem um zagueiro que se recusa a pular. Rochet fez milagre, embora nada alterasse a superioridade e a tranquilidade do placar do primeiro jogo.
Aí vimos Allex passear em campo, seja na ponta esquerda, seja na lateral. Vimos que, no esquema de Pezzolano, um lateral que joga por dentro é importante, por isso usa Bruno Gomes em vez de Aguirre, que é bom lateral, mas se atrapalha sem a linha do lado.
O gol veio ao natural, em nova assistência de AlanPa, que Borré não desperdiçou. O placar poderia ter sido mais elástico, mas o jogo era tranquilo, e todo o ímpeto do Inter em recuperar a bola não se traduziu em gols.
Pezzolano se classificou para a final com um pé nas costas, usando uma zaga ruim, e jogadores abaixo nas necessidades do Inter, e isso é um grande mérito. Precisamos reconhecer, contudo, as deficiências do time, principalmente no sistema defensivo, que confia muito nos zagueiros.
Só que o Inter tem opções do meio para frente, com Alan Rodriguez, Paulinho, Benjamim, Villarga, que podem compor um meio mais marcador, sacrificando um dos atacantes. Isso possivelmente não se torne necessário se a direção fizer seu trabalho e entregar mais dois zagueiros até a janela de março.
De resto, Vitinho entrou muito bem no jogo, superior ao bom João Vítor, que errou um gol que lhe daria a confiança que precisa. Não ver Tabata estragando as jogadas, e um time mais coletivo com AlanPa, Bruno Gomes e Allex é bem mais agradável. No fim, Alerrandro fez gol de centroavante, atento ao erro do adversário e a goleada nos colocou formalmente na final, onde estávamos desde domingo passado.
Gauchão é um campeonato que engana neófitos e até experientes. O time tem estrutura tática, variações, e tem algum talento em algumas posições, mas ainda precisa melhorar o sistema defensivo, principalmente pelo lado esquerdo, e precisa ser mais efetivo nas conclusões.