PELA PRIMEIRA VEZ NA HISTÓRIA

Ontem, pela primeira vez na história, o Inter, com reservas, jogou contra um time tecnicamente superior, e isso explica tudo.
Claro que contém ironia, pois esse blá-blá-blá de que o Flamengo e seu elenco são superiores ao Inter parece a novidade do século, e, neste esporte, parece que nunca um time com qualidades individuais técnicas ou de conjunto foi derrotado ou pelo menos enfrentado por um time com características inferiores.
Essa turma esqueceu que enfrentamos o Cruzeiro, o River, o Vasco, o Corinthians, o Fluminense e tantos outros com elencos inferiores, mas não apenas ganhamos como fizemos história, e nem vou usar o Barcelona como exemplo.
Claro que não é exclusividade do Inter, mas, no momento, fodam-se os outros.
Começar o jogo com 4 atacantes marcando pressão contra um time que tem um bom lançador de bolas longas (mais de um) e dois pontas rápidos é de uma burrice do tamanho do colossal. Marcar um meio que toca a bola e com jogadores que se movimentam com dois volantes lentos é talvez a segunda burrice do tamanho do colossal, e fazer isso no mesmo jogo supera qualquer imbecilidade recente no futebol. Isso somado a uma zaga reserva, com um lateral improvisado e protegida pelos volantes lentos.
Vejam, sequer falei na qualidade do time.
São diversos exemplos em que uma boa estrutura tática, com estratégia, supera um adversário mais qualificado, e meu exemplo eterno é o Chelsea contra o Barcelona na Champions de 2012.
Mas Roger montou uma maçaroca, em aglomerado de jogadores correndo atrás de uma bola que nunca estava perto deles. Foi constrangedor.
A pergunta que fica é como Roger ainda treina o Inter, depois de tantos erros táticos primários em vários jogos, que entregaram não apenas uma classificação na Copa do Brasil, como uma posição ruim na tabela do Brasileirão.
Claro que a direção tem grande parcela de culpa. Não temos lateral esquerdo reserva, e seja lá o que aconteceu com Ramon, é indesculpável não termos um nome nem que seja da base, para compor um grupo de reservas.
As contratações de Richard e a falta de um outro zagueiro também constrangem. E isso que vou dar grande desconto ao Richard, que recém chegou e já foi para a fogueira, mas não conseguiu mostrar absolutamente nada que indicasse sua contratação, senão um perfil físico parecido com Fernando.
Mas era possível jogar com Luis Otávio, com Romero, com 5 jogadores no meio campo, um ponta rápido como Vitinho, ou quatro jogadores no meio, um ponta rápido e um centroavante ou de área (que não recomendaria) ou de velocidade.
Mas Roger abriu Prado e Vitinho, sem compromisso de fecharem o meio ou as laterais, e recuou um esforçado Borré para uma marcação no campo do Flamengo. Sei lá se tentou repetir o que o Galo fez, ou o que o Bayern fez, mas o que conseguiu foi entregar o meio para o Flamengo e deixar os laterais avançarem livres.
E sequer falei da qualidade dos outros jogadores que não o Richard.
De notícia boa só o Prado, que novamente mostrou que pode jogar pelo meio, que precisa de consciência tática para evoluir, mas que tem drible, passe longo e conclusão. Roger o vê como um ponta aberto pela esquerda, o que vai enterrar a carreira do guri.
Quando Maurício deixou de jogar no Inter, mesmo estando aqui, via em Prado seu substituto ideal, e Coudet não viu isso, tentando BH, e o levou à derrocada. Roger comete vários erros seguidos, com a complacência da direção, que tem seu escudo pronto na incompetência de um treinador amado pela mídia local. É como um submarino, pode até flutuar, mas foi feito para afundar.