Não gosto de grenal do ponto de vista técnico; por vezes, a rivalidade faz esquecer que é um jogo de futebol e se transforma em uma guerra. O que sempre disse é que, quando o Inter resolveu jogar futebol, venceu, ou jogou muito melhor e a vitória escapou nos detalhes.
No jogo de sábado, indiscutivelmente fomos melhores, mas jogamos pouco futebol. A rivalidade falou mais alto, e perder não era uma hipótese, de modo que, em grande parte do jogo, ficamos mais preocupados em não deixar o adversário jogar do que propriamente buscar o jogo.
Eles também vieram para não perder, três volantes e um só atacante que habitava a área ou o campo adversário; apostando em bolas longas para a parede de um gordo Carlos Vinícius. Foram várias tentativas de entregar o jogo, mas não aproveitamos.
Aliás, Mercado embolsou o atacante com sobras. É um grande zagueiro, que tem dificuldades com velocidade, mas no embate e no posicionamento, é um senhor zagueiro. Seu companheiro, Felix Torres, também foi muito bem, sem falhas, sem riscos e com boas coberturas.
Nossos laterais anularam os atacantes pelos lados, sem o pé direito, o belga é quase nada além de correria, e o repatriado é um encalhe pior que o anterior, e tomara que continue assim.
Nosso meio também foi muito bem protegido por Villarga, que assumiu para não largar mais a posição, e, a partir do ingresso dele, a defesa parou de levar gols imbecis. E não é por acaso.
Mas aí começaram nossos problemas. O lado direito esteve muito bem, com Bruno Henrique e Vitinho fechando todas as portas, embora construindo pouco, muito por motivo da sequência de faltas em Vitinho, que o árbitro relevou até o segundo tempo.
Vitinho tem sido nosso atacante mais perigoso, e acredito que está na hora de testá-lo em outra formação, sem Borré ou Alerrando. Isso porque as duas chances muito claras de gol do Inter caíram nos pés de Borré e cabeça do Alerrandro, e foram terrivelmente desperdiçadas. Atacante que se preza ou chuta por baixo, ou pelo alto, não na altura da mão do goleiro. Por mais que tenha feito uma grande defesa, essa bola não pode parar no goleiro.
Já Alerrandro, sozinho, sem impedimento, sem marcação, atrasou de cabeça para o goleiro. E isso sem contar os erros com a bola dominada, principalmente quando a zaga ruim do adversário teimava em entregar bolas na frente da área. Decisões todas equivocadas, chutes pífios e passes errados.
Não vou falar de Carbonero e Alan Patrick, pois estou esperando que entrem em campo ainda, e isso significa muito para o motivo pelo qual não saímos vitoriosos. Nem como auxiliares da marcação fizeram um jogo minimamente aceitável; apagados, sem vontade, errando tudo. Para se ter uma ideia, Bruno Henrique jogou melhor que os dois.
Pezzolano acertou o time na defesa, mas precisa acertar do meio para frente, no quesito ataque, e não será com Alan Rodriguez. Sigo vendo que uma formatação com dois atacantes, Carbonero e Vitinho, mais liberados da marcação, e com um meio mais preenchido para liberar esses dois, seria uma formação que precisa ser testada.
A nota ruim da defesa fica por conta da falha de Rochet em uma bola socada, erro que não se justifica nem pelo pequeno empurrão do jogador adversário. Fez uma defesa salvadora em bola parada, mas poderia ter comprometido o jogo; e sempre foi um goleiro notabilizado pelas saídas de gol. Nossa preparação, neste quesito, é muito deficiente, faz tempo.
Agora é bola pra frente e preocupação em pontuar.