O Inter atropelou o rival no clássico, fez 4 e poderia ter ampliado, ainda com um pênalti vergonhosamente não marcado quando ainda estava 1×1, no início do segundo tempo.
Uma análise superficial poderia dizer que o Inter venceu o clássico porque foi o time que quis jogar e “entendeu” o jogo, e é o que vamos ouvir e ler na nossa imprensa que há muito carece de qualquer tipo de análise sobre futebol.
Aí o perigo.
O rival era dado como amplo favorito, com um time que jogou desde a primeira rodada, que se reforçou em várias posições e que apresentava jogadores muito melhores que o colorado em quase todos os 11.
Não vou dizer que subiram no salto. O fato é que o time do rival é um time imensamente limitado, com jogadores igualmente limitados em quase todas as posições. Nossa imprensa oficial, seguida pelos influencers ligados ao rival, acredita que tem uma seleção jogando no RS, e que jogadores que contrataram deveriam estar na Europa pelo futebol que apresentam.
O rival é um arremedo de time, que não marca em nenhuma das linhas de formação, que tem um zagueiro que chorou em campo, um volante que nenhum time da Europa quis, e um ataque amplamente desconectado com o gol, exceto contra times de menor expressão, onde fazem a festa e a ilusão de sua torcida.
Aí o perigo.
O atropelo de ontem não pode fazer com que o Inter se iluda também. O time está em formação, mesmo apresentando um desenho tático muito bem executado, e sem algumas peças importantes. O time do rival é tão ruim que Ronaldo parece jogador aceitável no Inter.
Temos falhas no lado esquerdo na zaga, lateral e um atacante que ataca mas não marca. Do lado direito temos um lateral que deveria ser volante, um zagueiro de 38 anos e um atacante que se afoba quando tem chance de gol.
Nosso meio tem Ronaldo, autoexplicativo, e as boas surpresas de Paulinho e Alan Patrick combativo, e Borré marcando gols que não fazia.
Não quer dizer que somos muito ruins; de longe não somos. Nossos laterais constroem, nossos atacantes pelos lados são rápidos e Ronaldo mostrou entrega em campo, o que supriu muito sua falta de qualidade.
Mas Vitor Gabriel precisa de tempo ainda, mesmo que seja para confirmar que a fase ruim é a constância, e Mercado, absoluto, vai sofrer com atacantes melhores, e não aguenta sequência de jogos. Torcer para Torres é bom, mas precisamos de outro zagueiro mais afirmado. e nossos nas nossas laterais, precisamos parar de levar bola nas constas,
Villarga não permitiu avaliação, e pode ser uma boa composição com Paulinho no meio, mas não temos soluções defensivas pelos lados com nossos pontas rápidos, embora não tenhamos visto o time precisar. A gurizada é extremamente promissora, tanto Allex, como João Vitor, mais Bezerra, Yago e Benjamim, mas precisam de afirmação entrando em jogos decididos.
Pezzolano parece que sabe o que faz, e, se a principal característica de seus times era a intensidade, conseguiu implementar no sonolento time do final do ano passado, o que é um mérito gigante. E o time chutou, não tem mais aquela lenga-lenga de trocar passes até fazer gol da pequena área.
Acho que devemos comemorar, cornetear e fazer festa com o chocolate, mas até hoje só; depois é encarar que o time está em construção, e torcer para que a direção apresente boas contratações que permitam mais variações para o treinador.