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Não é novidade que o timing da direção é desastroso, e isso implica lapsos consideráveis no planejamento.

Isso significa que ninguém está surpreso com a demora para contratação de treinador e executivo de futebol, sendo que ficamos, até o momento, com Abel, nome importante, tanto quanto a saída do comando anterior do futebol.

Caso tivéssemos uma ideia formada sobre como o Inter deve jogar em 2026, o treinador seria uma consequência, assim como os jogadores que sairiam e os que viriam. Mas o que mais se sobressaiu na gestão desta direção é essa questão errática de como o Inter deve jogar, que, acredito, sempre deve ser orientação da direção.

Isso ficou claro com as trocas de treinadores com formas totalmente opostas de ver futebol.

Assim, a contratação de treinador, que certamente definirá como o time deve jogar em 2026, está por demais atrasada, com prejuízo para o planejamento de todo o ano.

Os nomes cogitados, como Tite e até Cuca, não me agradam, mas aceitaria (Cuca seria o pior) em nome de um projeto entregue ao Abel e treinador; contudo, nem isso temos.

Tite seria um nome com peso dentro do vestiário, mas lhe faltaria material humano, e não tenho certeza de que pretende algo na carreira ou só prepara a carreira do filho, além de não gostar de seu estilo de jogo.

Aí restam poucos nomes circulando, inclusive treinadores argentinos, como o atualmente citado Eduardo Dominguez, que me agrada bastante pelos trabalhos que fez com pouco material humano.

Minha questão com treinadores argentinos é que estão acostumados com outro tipo de jogador, e outra velocidade de futebol, que o jogador brasileiro não gosta. A intensidade de um time argentino precisando de resultado é pelo menos 10 vezes maior que a intensidade que qualquer time brasileiro já conseguiu imprimir, talvez com exceção do Palmeiras.

Aí, jogar com material humano mais precário, sem conseguir implementar características do futebol argentino, é um desafio grandioso para qualquer treinador, talvez mais que enfrentar a imprensa reativa às escolhas do Inter e o bando de ignorantes que detonam treinador para conseguir engajamento em rede social.

O fato que ganha cada vez mais relevo no cenário futebolístico brasileiro é a escassez de treinadores com bagagem tática, o que os estrangeiros mais qualificados tem de sobra. Não todos que estão por aqui. Alguns não tem nenhuma variação tática e na hora do aperto é lançar bola aérea para a área e ver o que acontece.

Já falamos que uma geração de treinadores se foi, como Luxemburgo, Abel, Muricy e tantos outros que não lembro o nome, e onde incluo Dorival, e que não temos uma renovação com brasileiros. Alguns despontaram com novidades táticas, mas sucumbiram aos vestiários ou aos resultados ruins, e outros se mantiveram unicamente pela questão midiática, sem resultados mesmo em times com mais recursos.

Daí a invasão estrangeira e a resistência absurda da imprensa gaúcha aos que vem de fora para o Inter.

Então, a direção não tem muitas escolhas, ou cai em um nome brasileiro com pouco conhecimento tático, ou cai em um estrangeiro e todas as restrições que a imprensa vai impor como fez das outras vezes, tudo por conta de uma gestão errática desde o princípio.

E ressalto a questão tática porque nosso elenco provavelmente não terá grande brilho técnico, e a forma de ser competitivo sem essa qualificação é apostar na qualidade tática.

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