Que vitória meus amigos! Que VI-TÓ-RIA! Tomar gol de empate aos quarenta do segundo tempo é quase como tomar um gole de vinagre puro: difícil de tragar e demora pra sair o gosto. Já o gol do Sasha como desfecho da melhor jogada até agora da carreira do Willian, é como sorver um bom Malbec chileno ou um Merlot Argentino… Prazeroso! Barato, mas bem prazeroso! Vontade de tomar mais um gole, sem pressa, sentindo enquanto a bebida vai testando e provocando as percepções. “Replay!” “Como ele fez mesmo?” “Vamos ver de novo.”
Não sei vocês, mas fórmula 1, futebol e outros bichos estão me deixando com a sensação de ver novamente como eram praticados nos meus tempos de piá. Mais visceral, cru e com alma.
Sou cria dos anos 80, 1980 pra ser mais exato. Piquet, Senna, Taffarel, Viva ao Gordo, Garotas do Fantástico, Xuxa, Paquitas e essa gente toda. Bicicleta Caloi Cruiser Safari vermelha, futebol no campinho enquanto os jogadores conseguem ver a gorduchinha no clássico “5 vira, 10 ganha”… Os trapalhões! Domingo era sagrado: doses cavalares de “enlatados americanos” durante o dia – Não Louis, não era comida industrializada, era o apelido carinhoso das séries americanas que passavam na TV – e ao final trapalhões (aqui vocês começam a entender a origem de algumas de minhas piadas, né psit?).
“Ô da poltrona”, as vezes a sessão trapalhônica era acompanhado por uma cesta de pastel frito e uma Coca-Cola de 1 litro em garrafa de vidro, na época em que isso não era
vintage, sendo servida “on the rocks”. “Cacildis!” Isso que era vida! Empinar pandorga, comer bergamota sem se importar quem era o dono da árvore, subir em todo tipo de árvore, remendar os bichos da vizinhança, brincar na rua com as vizinhas… Bons tempos.
Otimistas dirão que eu torcia para o Inter, realistas lembrarão que não foram tempos fáceis. Minha família é 90% formada de gremistas. Eu ser colorado é obra e graça do primeiro e único São Taffarel. Tanto que tentei jogar de goleiro nas minhas primeiras investidas. Que desastre! Convenci minha mãe a me dar uma bola de natal (eu tinha uma verde de borracha, dura que nem cabeça de bêbado). Foi um acontecimento, o melhor presente do mundo! Isso era artigo raro.
Assim, usando de minha treinada e testada habilidade de negociar, já que sem primos na mesma faixa de idade ou algum irmão que me defendesse tinha de me valer do meu cérebro para ser um dos centrais e não o saco de pancadas. Nisso, Cristian “Underwood” conseguia jogar onde queria, até mesmo no gol (mesmo sendo uma naba no gol).
Minha carreira de arqueiro não foi muito longe. Nisso comecei a ir com meus primos e tios mais velhos aos jogos de várzea. Primeiro e segundo quadros, essas coisas. Para quem não sabe como funcionava a várzea era assim: toda “agremiação”, que normalmente representava um bairro, tinha dois times, o primeiro e o segundo quadro. O primeiro era formado pelos melhores jogadores, já no segundo…. Tipo um Inter B. Saca? Acredito que o Camobiense, time do meu bairro, faria frente a dupla grenal fácil.
Tinham dias mais agitados… Era preciso ir nesse espírito.
Encurtando a história, pra não emendar com a novela das 8: voltando ao jogo do INTER, o resultado e o jeito como as coisas se alinharam foi fabuloso. Mas, não deve-se começar a criar expectativas fora da realidade. O Wiliam e o Sasha não são super-heróis. São jogadores de futebol, humanos e em crescimento. Podem ir longe, mas não venham me dizer depois se em uma partida não jogarem bem que não valem nada. Muito menos o Argel virou uma espécie de “Pepe Simeone Ferguson”, ele é um treinador em fase crescente que pode e vai fazer muitas escolhas erradas, mas ele é autentico e identificado com o clube.
Não estou diminuindo o trabalho da rapaziada, pelo contrário, estou colocando no cenário real. Foi um trabalho de exceção e que queremos que se repita em escala crescente de melhoria. Esse é o único jeito de brigar pelo caneco. Assim, moçada, respeitem a todos, acomodem-se em suas poltronas e aproveitem o espetáculo.
Sem reforços, sem jogar com a faca nos dentes cada partida e sem ajustes não temos como brigar para sermos campeões. Jogamos contra os outro 19 clubes e também contra o que chamarei de “fator desconhecido”, que nos coloca em algumas desvantagens durante o campeonato, como tempo e distância de viagem total durante o campeonato, por exemplo. Nosso elenco não é de estrelas, nosso treinador tem de aprimorar muito o que chamamos de repertório tático, mas estão todos evoluindo.
Trocar nome de treinador para colocar alguém da “ciranda-cirandinha”, pegar jogador com mais nome do repertório técnico é a fórmula conhecida do fracasso.
Antes de me chamarem de acomodado, quero propor o seguinte: se você não gosta do Argel, beleza! Mas sugira um nome factível e realmente melhor. Não vale aposta (vai parar um trabalho de quase um ano por um “acho que pode dar certo”?). Não vale dizer “mas em 1918 ele fez um bom trabalho no Luverdense”. O primeiro que disser “Guardiola” ganha um cascudo. O cara tem de ter algo a oferecer, uma ideia de trabalho técnico e tático que possa se adaptar ao grupo do Inter, afinal, não adianta sonhar com Cristiano Ronaldo, vem a Irmã e é só uma visita – não sou de fofoca, mas dizem que ela posa na casa do André.
Assim, Como diz o Argélico, tem de colocar o “pézinho no chão”. Me deem um nome que pode assumir o Inter agora, já e imediatamente fazendo a diferença para a melhor, nem falo em caneco e muito menos cair. Apenas que o time jogue mais. Sejam melhor que o Pífero!
Só notem uma coisa: a gente, todos nós, nos julgamos seres especiais e dotados de uma capacidade suprema: a perfeição encarnada. Você pode dizer que não. Mas lá no fundinho te acha o negão do Whatsapp do universo. Esse senso de supremacia nos leva a crer que tudo a nossa volta está errado e não é merecedor de nossa magnânima benevolência. O carro é uma porcaria, a casa é o que dá, nossa mulher “mais ou menos”, o time um lixo, e por aí vai. Sejamos sinceros, tudo que está fora nos parece melhor e mais tentador (quem é casado entende melhor do que eu estou falando). Isso é o velho lugar comum de que a grama do vizinho é mais verde. Mas, as vezes, um pouco mais te trabalho com o que se tem dá um resultado melhor do que implodir e começar do zero. Quem torcia pro Inter golear e rezava no meio do jogo por um empate nos anos 90 me entende o que quero dizer: expectativas nem sempre se concretizam. Trabalho de qualidade, com foco e vontade, sempre dá um bom resultado.
Segunda coisa que eu peço para vocês notarem: quando não é nosso trabalho, queremos tudo pra ontem. Onde já se viu precisar esperar 5 minutos pra ser atendido? Ou esperar o trabalho alheio seguir seu ritmo? Bem capaz! Bando de mangolão, não é mesmo? (isso foi uma ironia)
Eu penso nesse campeonato brasileiro – nivelado por baixo, tecnicamente – o time do Inter, com Argel e tudo, bem trabalhado e com alguns reforços pode incomodar. Nos meus parcos conhecimentos futebolísticos não vejo ninguém possível de ser pago e que realmente possa substituir o Argel apresentando resultados consistentes além dos 3 ou 4 jogos da chegada.




