Pior do que não ter dinheiro é ter e não saber gastar.
Apesar do título do post parecer um bordão da zorra total – não achei coisa melhor que expressasse a ideia que eu queria e, na verdade, é mais sutil e significativo do que aquilo que costuma sair do humorístico da RGT: para onde nosso time favorito está indo?
Gosto e tenho cuidado pra usar mais essa expressão importada de time favorito no lugar de “meu time”. Digo importada, porque enquanto conversava com um escocês acabamos em futebol e eu, naturalmente, pergunto: qual teu time? E ele me responde com uma cara intrigado “meu time? Você quis dizer meu time favorito?”.
Antes que me perguntem, eu não falo inglês, falo uma coisa bem parecida que permite comunicação. Assim, eu solto um tranquilo “Yes”. Mas, confesso que eu estava mentalmente naqueles momentos de insight, aqueles instantes que a luz fica mais luminosa e o mundo a volta parece em câmera lenta. Vi BEM mais claro que as águas do Guaíba a sutil e importante diferença nas duas posturas mentais. Afinal, faz mais sentido. Vocês não acham meio estranho a gente se comportar como dono de uma coisa que não se tem ingerência? Oh! Minha Gisele Bünchen! É a mesma lógica de lançar posse sobre a alemoazinha de Horizontina enquanto que é o Tom Brady quem… Bem, acho que vocês estão começando a perceber os pontos que eu vou ligar.
Como eu disse antes, pior do que não ter é gastar mal. Nossas piores fases tiveram tempos de recursos parcos e cofres ocos. Mas e agora com um orçamento anual que dava pra comprar um INTER com Gigante, Gigantinho, terra e tudo por temporada dos anos 90, o que explica essa pobreza de qualidade?
Pra mim é outra pobreza: gastar mal, ficar endividado e, por fim, acabar ficando refém de suas escolhas. Taí o jogador X (troque “jogador X” pelo nome da naba cara que menos lhe agrada) que não me deixa mentir.
Daí o novo rico ganha um terreno na área central da cidade (Alisson) e já pensa trocar por “plata o plomo” pra equilibrar o caixa mal gerido… Já vi esse filme! Dos mesmos autores de “Vender Alexandre Pato para contratar Pinga” e “Vender Sandro para jogar mundial com Wilson Mathias, o espetacular”.
Reclamar não pode, manter jogadores identificados e ao gosto da torcida não dá. Agora pra pagar a conta de contratações que até meu cachorro sabe antes de assinar que é furada, dos faraós mumificados e intocáveis… o time é nosso cara pálida? Senta lá e espera a minha boa vontade chegar junto com o retorno em marketing do Fórlan.
O erro de gestão no INTER é uma coisa bem simples e boba, que a gente ensina a crianças que ainda sujam as fraldas: admitir o erro, não mentir. Daí as pessoas ficam adultas, assumem clubes de futebol e não bastasse não ter aprendido o que a mamãe deles ensinou ainda trocam as fraudas pelo caixa do clube e fazem de nossa paciência a sua amante: fodem todo final de semana.
Admitir a derrota não é feio, as coisas mudariam se os erros fossem assumidos e houvesse vontade de fazer acontecer. Não tem como ter receita profissional e gestão amadora. impossível! Enquanto o lesionado da rodada, a viagem ou a fase da lua forem os motivos de nossas derrotas. Persistindo em pagar salário acima da realidade de bola no corpo para alguns jogadores, não tem outra resposta senão flertar com a mediocridade e torcer pela sorte nos levar a uma vitória sem esquecer de rezar para que hajam patos suficientes (não o Alexandre) pra pagar o custo da cegueira.
PS: só eu que acho a introdução de “Mr. Crowley” parecida com a música de início do filme Scarface?


