Imprudente
Essa caso do Willian ainda promete ter alguns desdobramentos, não duvido. Particularmente, penso que ele foi imprudente sim e que, como qualquer um de nós, sabe que levantando o braço daquele jeito poderia acarretar uma cotovelada. Certamente não imaginava, nem tencionava machucar, mas quem arrisca, petisca. Particularmente, também, não me incomodaria se ele sofresse uma suspensão pelo tempo que o Bolaños estiver fora. Não gosto de jogo sujo e sou a favor desse tipo de punição sempre que houver consequências graves, seja por imprudência “consciente” ou por maldade mesmo. O mais importante, é ele pôr a cabeça no lugar e ser mais prudente daqui pra frente.
Chesterton neles!
Há alguns dias, o André escreveu isso aqui:
“Há alguns retrógrados que defendem um modelo que o INTER deve estar a margem da decisão do sócios, guiado apenas pela visão de empresários ou figura proeminentes e funcionários bem remunerados, diminuindo o poder do voto e a participação da torcida, eu não concordo, penso que a torcida (e o associado em especial) são os mais capacitados para decidir o futuro do nosso clube.” (André, aqui)
De cara, me lembrei de Gilbert K. Chesterton. Para quem não conhece seus livros, fica a indicação. O cara é sensacional! Mas me lembrei dele por conta de uma passagem do livro “Ortodoxia”. Vejamos o que ele diz (em tradução livre, minha):
“A ideia especialmente e peculiarmente não-cristã é a ideia de Carlyle — a ideia de que o homem que deve governar é aquele que sente que pode governar. Qualquer outra coisa é cristã, mas essa é pagã. Se nossa fé diz algo sobre governo, seu comentário deve ser esse: que o homem que deve governar é aquele que NÃO pensa que pode governar. […] Se o grande paradoxo do cristianismo significa algo, significa isso — que devemos tomar a coroa em nossas mãos e sair à caça em lugares áridos e cantos escuros da terra até que encontremos o homem que não se sinta apto a usá-la. Carlyle estava muito enganado; não devemos coroar o homem excepcional que sabe que pode governar. Ao contrário, devemos coroar o homem ainda mais excepcional que sabe que não pode. […] Mas mesmo o mecanismo do voto é profundamente cristão em seu sentido prático — o de ser uma tentativa de tomar a opinião daqueles que seriam muito modestos para oferecê-la. É uma aventura mística; é especialmente confiar naqueles que não confiam em si próprios.”
Sem mais, na minha opinião. André foi certeiro quando classificou os defensores dos proeminentes de “retrógrados”. São retrógrados e antidemocráticos. Chesterton defende, neste livro, que o homem que se acha infalível já está falhando e está corrompido. Que autoconfiança demais é uma falha de caráter e que a dúvida da própria capacidade – na medida certa – é benfazeja e te mantém alerta. Defende, enfim, que é entre os humildes que se encontram os verdadeiramente grandes e excepcionais.
Estou com Chesterton, e vocês? 😉
Bom fim de semana, cambada.