4.9
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No meu tempo de tocador de fandango conheci o Gelson. Um sujeito simples, pequeno e pouco afoito à lida pesada, é preciso admitir. Mas dançador uma barbaridade. Se ajeitou conosco para ajudar a montar e desmontar o equipamento, embora mais fizesse de conta que qualquer outra coisa. Era sua chance, contudo, de estar no meio da coisa e dançar um baile inteiro de graça. Não recordo de ter visto outro afigurando um xote com tamanha maestria tal qual o casal Dina e Gelson. A Dina, importante explicar, era sua companheira e que ao contrário do Gelson era surrada da vida: não passava muito dos 40 e parecia ter uns 20 anos a mais.

Aquele casal era atração por onde passava a ponto de eu achar que os Patrões de CTG já faziam questão que eles estivessem em seus fandangos. Obviamente, não podia deixar o Gelson ficar sabendo ou perderíamos (meio) braço na carga e descarga. Se era meio ruim com ele, imaginem sem… Vou lhes contar uma coisa: paletear caixa de som depois de 5 horas de baile beirava à tortura, ainda mais no tempo que precisava de muito pra tão pouco. Hoje em dia todo o equipamento cabe numa Kombi e ainda sobra espaço. E sobra equipamento com som de qualidade.

Nas viagens pra fora o Gelson nem sempre ia. O fazia quando estava de bico com a Dina que implicava justamente com sua falta de perspectiva na vida, afinal, dançando (ao menos na época) ninguém sobrevivia. O homem ia abichornado, mas ia. Chegava na hora do baile os pés dele começavam a coçar e não adiantava: partia para dançar com a primeira senhora que aparecia. Mesmo raquítico, teimava em dançar com mulheres do dobro do seu tamanho, porém, sem a mesma desenvoltura aos rodopios no salão. Faltava, é bem verdade, aquele entrosamento que detinha com a dona Dina; a malícia. Era, afinal, um casal malicioso a desfilar pelos salões de clubes e CTG’s daquele tempo.

Pois, claramente a falta de entrosamento, também, impediu o Internacional de desempenhar algo parecido com futebol ontem na longínqua e bela Ijuí. Ao menos no mesmo estilo do futebol que desempenhamos no final do campeonato nacional do finado 2023. Obviamente não farei terra arrasada, afinal, são dois jogos praticamente de pré-temporada. Nem devia haver disputa antes do mês de fevereiro.

Aliás, creio que referi na minha última estada por aqui que, fosse eu o treinador, seria time totalmente reserva nos três primeiros jogos. Se não disse, pensei.

Agora, é preciso dizer também que nas verdades que a bola nos proporciona, já se pode perceber que algumas carinhas ali não servem para o Internacional e de onde nada já se esperava, não vai sair é nada mesmo. É de uma redundância retumbante. Também é preciso ser dito que tinha de ganhar do rubro São Luiz até com aquele time cansado da Copa SP.

Faltou malícia. Faltou a malemolência dos jogadores de outrora, que diante de jogadores do interior pareciam craques e muitas vezes enganavam torcedores iludidos como eu, para logo mais adiante, diante de adversários de verdade, demonstrarem que era enganação pura. Azar, talvez. No que tange ao Internacional meu caso é de ilusão mesmo. Sempre foi e sempre será.

Faltou um casal Dina e Gelson para dar show de malícia em campo. E para botar a bola para dentro e aquecer o torcedor Colorado neste o início de temporada.

Mas, a verdade é que assim como nos bailes, o futebol agora é outro… Sem malícia!

 

CURTAS                                                                              

– Gestão de grupo justifica a predileção de Coudet de uns ao invés de outros. Contudo que isso também sirva para que as melancias sem gosto logo sejam tiradas da carroça;

– Primeiro tempo do Colorado parecia um bando de amontoado em campo. Futebol da várzea ficou encabulado assistindo aquilo;

– Pra Wanderson o ano começou como terminou o anterior;

– Reconheço que me ludibriei com o rapaz de Santa Cruz. PH parece ser igual a primeiro ano de casamento: pura ilusão;

– Saber a hora de parar ou de entender o seu próprio tempo é fundamental. É pena ter de dizer isso, mas Luiz Adriano com a camisa do Inter está beirando o constrangimento;

– Tenho fé no menino Anthoni, que não pareceu sentir a responsabilidade. Mas eu mataria no peito o prejuízo (Ivan) e traria outro goleiro;

– Lateral esquerdo é pra ontem e zagueiro também deveria ser. Da novela volante vou me abster neste momento;

– Na próxima semana, por ordem da mulher, farei uma viagem de velho e com velhos pelo interior de Santa Catarina. Volto, assim como o futebol de verdade do Inter, em fevereiro;

– Não contem comigo para fritura de treinador com 15 dias de trabalho. Traduzindo para o bom português: não consumam merda!

 

PERGUNTINHA

De quem foi a ideia infeliz de fazer jogo em Ijuí as sete da tarde?

 

Torcedor Colorado: mais malícia!

PACHECO

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