O RETORNO

O retorno ao Beira-Rio não foi muito agradável. Mesmo com o joelho ainda ruim, resolvi voltar ao estádio, e foi uma experiência pouco recomendável em todos os sentidos.
O clube implementou o reconhecimento facial para ingresso no estádio, se não estou enganado decorrente de lei, e não estava preparado. Confiar em tecnologia não é uma coisa boa a se fazer quando envolve grande número de pessoas, milhares, no caso. É histórico que há falhas, e isso era esperado, o problema é não ter pessoal preparado para enfrentar os problemas. O ingresso foi demorado, e os problemas sem solução minimamente organizada.
O jogo foi outra decepção, nem tanto, porque a escalação já dava mostras do que seria em campo, e o Inter de Roger foi desértico.
Vitor Gabriel é um bom zagueiro, e zagueiro bom com a idade dele é difícil de encontrar, aí é colocado para jogar em uma posição mista, de zagueiro e lateral, sem saber se marcava ou avançava, e ainda contando com Thiago Maia amontoado com ele. O Vitória é um time muito ruim, e não soube aproveitar.
T Maia é o tipo de volante, que Roger e ele acham que é meia, e pensa que é possível jogar futebol moderno sem se movimentar. Seus movimentos eram para passes laterais, e se distanciava, caindo pela esquerda, pois é o único pé que usa para jogar, deixando um vazio no meio, facilitando a marcação.
Roger é um treinador da aldeia, brasileiro, que segue com o pensamento que time ofensivo é aquele que tem vários atacantes, e não se preocupa em como a bola vai chegar nos atacantes. O histórico do Roger é de times que saem jogando pela lateral, onde o espaço é menor e mais fácil de marcar; ainda, o Inter não sabe virar o jogo para o outro lado sem 4 passes.
Aí parecemos dromedários no Saara. Roger abriu Carbonero e Wesley em vez de fazê-los jogar pelo meio para a entrada dos laterais. A primeira jogada do Inter foi aos 39 minutos do primeiro tempo, e tem outra escapada do Wesley pela direita. Nenhuma ultrapassagem de laterais, nenhuma triangulação com meias e pontas e laterais, no máximo um pivô de Borré.
O segundo tempo repetiu o primeiro, com a estreia, boa, de Benitez pela direita, deslocando Aguirre pela esquerda, retornando Vitor Gabriel para a zaga. Mas Roger seguiu sem conseguir colocar nossos jogadores no 1×1, onde Wesley, por exemplo, normalmente leva vantagem. Aliás, Wesley foi muito pouco acionado, e chegou a se movimentar para o meio para conseguir receber bolas. Alan Patrick se movimentava como o resto do meio, lentamente.
Com as alterações, Roger recuou Alan Patrick e deixou o meio desprotegido e sem articulação na marcação, e os zagueiros e laterais deram conta, exceto em falhas individuais que, por sorte, ou por Rochet, não resultaram em gol do Vitória.
O ingresso de Tabata, como venho repetindo desde o início do ano, tira um pouco da carga de Alan Patrick ser o único condutor de bola, mas Roger errou feio ao recuar AlanPa para fazer o primeiro passe no meio, quando ele funciona perto da área. Errou ao colocar Valência novamente como pivô, e corrigiu com o ingresso de Mathias. Borré recebeu uns três cruzamentos, Mathias nenhum. Roger tirou o ponta que mais ganhos individuais tem, e colocou um chutador no seu lugar, além de trocar o pé preferencial do lateral.
O gol saiu na jogada clássica de Valência, que flutua para trás e infiltra na área, cruzando, e no rebote Tabata acertou um belíssimo chute que garantiu três pontos importantes. Antes, Rochet salvou o Inter em duas ocasiões, uma com dois jogadores do Vitória na área, contra um do Inter.
A atuação foi. No mínimo, preocupante, e Roger mostrou-se sem alternativas para o ataque senão empilhar gente na frente. Nitidamente não sabe como ampliar o campo usando os laterais, e muito menos como usar dois atacantes que não são ponteiros, o que é comum em treinadores que sempre jogaram com retrancas.
Não é o único responsável, a direção não ofereceu um novo volante, visto que os existentes são absolutamente insuficientes, e não oferece um meia para jogar com Alan Patrick na função de 8, essencial a qualquer time. Meu maior receio é que Roger tenha visto jogo bom de T Maia e Bruno Henrique, aí não adianta contratar.