JÁ DEMITIRAM?

Acordei hoje com a esperança de o Inter ter demitido o treinador e comissão técnica, depois do que apresentou no jogo de ontem.
Estava de férias, 15 dias sem assistir aos jogos, só sabendo dos resultados e vendo um ou outro “melhores momentos”, e, no primeiro jogo a que assisto, Roger nos brinda com um 352 na escalação, e uma salada de frutas com pepino em campo.
Gosto do 352, depois do 4132 é meu esquema preferido, mas é um dos mais difíceis de implementar. Precisa de jogadores com características específicas, como laterais que joguem por dentro, um zagueiro de sobra com velocidade, e dois atacantes que saibam jogar por dentro. Só o que tínhamos eram dois atacantes que sabem jogar por dentro, mas o treinador, assim como praticamente todos os treinadores brasileiros, não sabe jogar com dois atacantes por dentro.
A cereja do bolo foi o narrador/comentarista dizer que Roger pediu para Borré ajudar Tabata, e deixar Valência na frente, isso aos 20 minutos de jogo.
Ou seja, mais perdido que cusco em procissão.
Até entendo que, pela decisão quarta, tenha optado pelo time reserva, mas é absolutamente incompreensível, com os jogadores que dispunha, jogar em um esquema que nunca treinou, que não conhece, e ainda usa os jogadores novos para queimar.
O que Roger fez foi mostrar total descompromisso com o time, com os jogadores e com o clube, e deveria ter sido demitido no intervalo, quando retornou com o mesmo esquema.
Quanto ao jogo, lamentável. Até que Tabata e o novo Alan tentaram, mas jogaram sem laterais, que não sabiam se ultrapassavam o meio campo ou ficavam em linha com os 3 zagueiros. A ideia de jogar com dois atacantes, puxando um para receber a bola longa é a antítese do 352, e tentar a casquinha na bola alta é deprimente. Assim o Inter se defendia em uma linha de 5, impedindo que o SP jogasse, mas retomava a bola e não sabia como ligar com os atacantes ou com o meio inexistente. Até que tentaram, mas Borré tomou algumas decisões muito erradas.
O gol veio da única possibilidade que o SP tinha encontrado, bola parada e cruzamentos, e o escanteio veio em uma pixotada do Bernabei, que voltou muito mal da lesão. Aliás, o SP só tem dois cabeceadores, um deles o Arboleda, e subiu como quis, mesmo com muitos “marcando”.
O retorno, com Richard no lugar de Luis Otávio foi desalentador, não propriamente pela troca, mas pela manutenção de um esquema que não tinha funcionado, e o segundo gol veio com a cara do treinador, no momento tardio em que buscou desmanchar o 352. A cara do treinador se revela na covardia da marcação, que ficou com medo do drible, e olhou o meia escolher o canto, enquadram o corpo e acertar um chute sem chances para Rochet. Aliás, Tabata teve essa chance, e acertou Bernabei.
Depois, com Carbonero ajudando a armação, e com um centroavante de área, o time melhorou, mas era tarde. Benitez perdeu uma boa chance quando o cruzamento era a opção, e seguimos sem conseguir alimentar o centroavante.
Quem se escapou foi Mercado, Carbonero e a novidade Alan Rodriguez, que mostrou o que é uma movimentação de um 8, o credenciando ao banco de reservas ou jogar aberto pela direita, pelo menos enquanto não tocarmos de treinador.
Tudo pode acontecer na quarta, o Fluminense é um time ruim, mas nada indica que os jogadores querem dar sobrevida ao treinador, que já faz hora-extra desde o segundo jogo do gauchão.