Estamos todos aqui confiantes, falando em título com a boca cheia, faceiros. E com razão, afinal. A verdade, meus caros, é que estamos sim no páreo este ano.
Mas há um fantasma nos rondando. E pra afastar o medo de fantasma, tem que abrir o olho no meio da noite e ficar encarando o escuro, até perceber que o dito cujo não existe.
Então, encaremos o fantasma: daqui um mês, podemos estar aqui lamentando a perda do título gaúcho e a eliminação da Libertadores. Possível, assim como o título em ambas as competições. A pergunta é: quanto medo a chance de fracasso nos causa, a todos nós, torcedores, jogadores, comissão e direção? Ficamos apavorados em pensar numa eventual derrota para o Grêmio? Ficamos temerosos de uma eliminação precoce da LA? Isso tira o nosso sono? Pior: isso nos faria achar que está tudo errado e que mais um vez devemos começar do zero, jogar tudo pro ar?
Eu não tenho medo de fantasmas. Já tive, quando criança, mas não mais.
Mas o Inter tem sofrido com seus fantasmas. Tivemos outrora a coragem de encará-los e quando o fizemos, triunfamos. Todas as vezes, no passado, em que reconhecemos nossos limites, mas também lembramos de nossa força e capacidade de superação, nós vencemos. Mas acabamos ressuscitando fantasmas nos últimos anos. Perdemos a confiança, depois da infeliz derrota no mundial de clubes, que ocorreu em parte por nossos erros, mas ainda mais por simples azar, por essas coisas do futebol. Para um clube “crescido”, aquela teria sido uma derrota dura, mas apenas isso. Porém, deixamos ela nos amedrontar e desde então, perdemos não apenas a confiança, mas também perdemos a vontade de vencer. Esse é o grande poder do medo: ele não apenas te faz sofrer, ele lhe tira a vontade de viver, de sonhar, de ousar e, principalmente, de se superar.
O Inter está agora em um momento chave. Um momento diferente, um momento ímpar. Depois de um começo de ano incerto, de uma aposta num técnico novo, estrangeiro, da renovação de parte do elenco e da direção, nos vemos agora diante de uma combinação fantástica: direção, comissão, jogadores e torcida atingindo o uníssono, crescendo juntos, amadurecendo juntos, dando confiança e respaldo uns aos outros. Uma conexão vem se formando e se fortalecendo. Os resultados estão aparecendo e se tornando cada vez mais promissores. Tudo caminhou tão bem quanto possível até aqui e agora chegamos nos dois primeiros momentos críticos do ano: a final do Gauchão e o final da primeira fase da LA e as oitavas. Como todo momento crítico, não há meio termo agora: ou fracassamos ou triunfamos.
Eu não tenho medo de fantasmas. E peço a vocês, colorados, aos jogadores, comissão e direção: não tenhamos medo de fantasmas. Derrotas fazem parte, sempre fizeram. Mas quando não temos medo delas é que fazemos história, pois crescemos com elas, como fizemos em 2005.
Quando mantemos os olhos bem abertos na escuridão, mais do que encontrar a luz, aprendemos a nos virar sem ela.
Por isso, jogadores, entrem em campo confiantes e sem medo. Encarem o Grêmio e o The Strongest como o que são: mais uma etapa rumo à glória, mesmo que essa etapa implique num eventual fracasso momentâneo. A estrada é bem mais longa e nós, torcedores, queremos trilhá-la com vocês, assim como fizemos em 2005, quando soubemos aprender na adversidade para triunfarmos em 2006.
Somos um clube que faz história e história leva tempo. Há uma história sendo escrita agora, entre Aguirre, jogadores, direção e torcida.
Não tenho medo de fantasmas e vocês?
