Ontem houve uma reunião do Conselho Delibertativo, para tratar da proposta orçamentária e assuntos gerais.Como já expliquei outras vezes essa é minha opinião parcial sobre o que eu vi e eu considerei importante, não tem a mínima pretensão de ser a ata da reunião, penso que essa é uma forma de prestação de contas do meu mandato.
Ontem houve reunião do Conselho Deliberativo para debater as contas do Presidente Giovani Luigi. Como vocês já devem ter lido nos jornais o déficit aumentou, receitas diminuiram, o gasto com foi bem acima dos anos anteriores e tudo isso gerou uma situação bem complicada.
Só para exemplificar, a receita com o licenciamento da marca caiu de R$ 4,5 Milhões para R$ 3 milhões ao ano, as comissões que pagamos a empresários pela venda de atletas caiu de R$ 11 Milhões para R$ 1,7 Milhões (o que mostra que vendemos pouco), a própria venda caiu de R$ 120 Milhões para 30 Milhões.
Inclusive quando falei, disse isso, que o fato de aproveitarmos muito pouco os jogadores da base em 2014 prejudicou o time, mas também as contas. Muitos oradores usaram a tribuna para falar desse descontrole da gestão, foi muito falado que gastamos muito mais do que arrecadamos pois estimamos vender mais jogadores do que tínhamos para vender
RECEBIMENTO DA OBRA
O grupo que faço parte pediu que fosse feito uma ressalva quanto ao recebimento da obra, só para que vocês entendam. Em 31 de outubro a antiga direção recebeu a obra com data retroativa. No documento que recebeu, ficou acertado que o INTER abria mão de cobrar a multa pelo atraso da entrega e ganharia, pelos próximos 20 anos, o “crédito” de multa de 3 mandos de campo em caso alguma eventual punição.
Em minha fala defendi que esse recebimento deveria ter passado pelo Conselho Deliberativo, pois é acessório ao contrato principal, além disso é bastante claro que abriu mão de uma receita (multas) em contrato que dura mais de 4 exercícios, contrariando o Art. 40, parágrafo único.
“Art. 40. Compete à Diretoria
….
Parágrafo Único – A Diretoria não poderá antecipar nem comprometer as receitas, ordinárias ou extraordinárias do Clube, por período superior a quatro (4) exercícios sociais, em benefício de sua gestão, sem a prévia autorização do Conselho Deliberativo, ouvidos, mediante parecer, o Conselho Fiscal e o Conselho Consultivo, sendo ineficaz o ato em contrário. (grifei)”
Aqueles que defenderam a gestão se esforçaram em dizer que o contrato é bom, eu não disse que era ruim, que a negociação foi boa, eu não concordo mas não esse o caso. Chegaram a dizer que não havia multa, mas vejamos:
Quem disse que havia multa a ser cobrada foi a própria AG, a gestão, os escritórios de advocacia envolvido e tudo mais, pois não houvesse multa por qual razão teriam concordado em ceder o crédito de 3 mandos de campo???NENHUM dos oradores que defendeu esse recebimento da obra explicou a razão desse contrato não ter passado no Conselho Deliberativo .
VENDA DE JOGADORES
Outro apontamento do Conselho Fiscal foi que no dia 19 de dezembro (poucos dias antes de terminar a gestão Luigi) vendemos por € 1 milhão 10 % do passe de 4 jogadores. A primeira pergunta que eu, você e qualquer pessoa faria é: Quem são os 4 jogadores???
Ai que esta a questão, é quem o empresário escolher, ou seja, de dezembro de 2014 até dezembro de 2016, em todas as janelas o empresário pode escolher quem são os 4 jogadores que ele tem 10% do passe, ele tem uma espécie de coringa. Tem 5 oportunidades de escolha, é uma loteria com muitas chances de acertar, um negócio quase sem risco, com chances astronômicas de lucro.
Esse contrato que se projeta por mais de 4 exercícios também não passou pelo Conselho Deliberativo. Além disso como falou um Conselheiro, vendemos ativos futuros que nem sabemos quem são, nem se poderemos vender, pela nova regra da FIFA. Em 2016 o empresário pode escolher algum jogador que nem sabemos que é bom, que hoje está no sub-17 por exemplo, ou que hoje sequer é atleta do clube.
A VOTAÇÃO
Foi ressalvado ainda a questão do contrato com a Caixa Estadual, a falta de numeração dos contratos do jurídico, a superestimação da venda de atletas, e ainda apontamentos da auditoria independente.
Um grande número votou pela rejeição das contas, mas ao fim foi acolhido pela maioria absoluta a aprovação com ressalvas, que na prática reprova os postos destacados pelo Conselho Fiscal, mais o destaque apresentado pelo meu movimento (sobre a recepção do estádio), mas aprova as contas em geral.
André Flores
ps.: Foto do Conselheiro Norton Kappel
