Quem já conhece meu estilo aqui no blog (corneteiro, com tendências neandertais) já deve imaginar qual a minha opinião sobre o caso Fabrício (me surpreende ninguém ter cunhado a expressão Fabri-Gate até agora…).
Die! Die! Die!
Não vou re-iniciar a discussão aqui, pois quero propor outra coisa, que no fim, acho que poderia dar evidências concretas aos que criticam a performance do jogador.
O BV há anos apresenta a seus leitores, com exclusividade, a Produção Ofensiva anual do Inter, baseado em uma medida bem simples e eficiente. O cara que faz o gol ganha 2 pontos, o cara que deu o passe pro gol ganha 1. Existem alguns poréns, e tudo está devidamente explicado.
Recordista anual de producção ofensiva
Entretanto, uma coisa que já se comentou, é que falta medir o outro lado da moeda – ou do campo. Como medir a produção defensiva da equipe? Começa que o nome já nasce paradoxal, pois a defesa está lá para destruir a produção ofensiva adversária! Logo, como medir a Destrução Ofensiva Adversária?
Então, neste aniversário de 106 anos do nosso clube, a proposta é tentar chegar a uma maneira de coletar dados que permitam-nos analisar, baseado em evidências numéricas, qual a performance do time em relação aos gols tomados. Peço a colaboração para idéias.
Parabéns para o Inter, com a versão que eu tenho que escutar 3489 vezes por dia!
Começando pelo fim: o gol tomado. Com culpa ou não, o último responsável por evitar o gol adversário é o goleiro. Sempre. Independente da situação de jogo, do posicionamento, do Fabrício estar em campo ou não, ultimately (BV dicas em Ingles #12) o goleiro é a ultima linha de proteção. The last line of defense.
Se partíssemos desse princípio, era muito simples: dá pontos negativos pro goleiro e era isso. Mas não faz muito sentido. É uma estatística interessante, mas apenas a título de curiosidade. O goleiro que toma muitos gols não é confiável, e isso se vê com 3, 4 jogos. Em certos casos, basta meio jogo. Lembram do Renato?! O que eu quero é medir por que, ou por quem tomamos os gols que tomamos. Não só o goleiro.
É complicado, mas vou insistir.
Muito se falou na Avenida Fabrício, ou nas falhas da dupla (as vezes tripla) de zaga. Casos assim são mais interessantes de computar. Quantas vezes o pessoal não fala “ah, o Fabrício tinha que dar a cobertura, ou o Paulão furou em bola”…..
Mediremos o quê então? A última, as duas últimas falhas? Desde o início da jogada? Só o sistema defensivo? Mas e se foi o Aranguiz que inventou no campo de ataque, perdeu a bola e gerou o contra-ataque fatal? E como atribuir os pontos? E a discussão que daria? A produção ofensiva é 95% indiscutível. Tu vê quem dá o passe e quem faz o gol. Raros casos são discutíveis, e prá esses, o Louis acaba determinando a pontuação e no fim do ano a diferença que faz é desprezível.
Mas prá defesa? Complicado mesmo.
Então, prá chegar em uma proposta concreta, que possa ser medida de uma forma que evite o máximo de discussão e diferenças de interpretação, fui pesquisar como se faz esse tipo de estatística aqui na América do Norte, onde estatísticas esportivas são determinantes na tomada de decisões dentro e fora do campo de jogo.
No Hockey, onde eu tenho um pouco mais de familiaridade do que os outros esportes americanos, se usa estatísticas para o goleiro (defesas x gols levados, mais tempo de jogo, etc), e também o plus/minus (+/-).
Neste último que eu foco. Ele não reflete a falha individual de um jogador, pois eu concluo que não é factual o suficiente, mas sim mostra a performance do time, olhando individualmente para cada jogador em campo.
Funciona assim:
O time do Inter é escalado por Dorival Junior com:
Maizena, Nei, Bolívar, Espíndola e Fabrício; Cleitão, Wilson Mathias, Paulinho Criciúma e Caíco; Dadinho e Nelson.
O time entra em campo prá enfrentar o Matsubara, e perde por 3 x 1. Algo muito previsível, visto o conjunto da obra.
O que acontece durante o jogo?
Até o intervalo, o placar é de 2 x 0 contra. Assim, os 11 jogadores (?) em campo terminam o primeiro tempo com o plus/minus de -2. Para cada gol levado pelo time, eles perdem um ponto. Entenda-se como o saldo de gol do jogador, ao invés do time. Se o time faz um gol, ganha um ponto. E o Inter faz! Olha aí:
Começa o segundo tempo, e o Dorival mexe no time, bota o Balalo no lugar do Dadinho, e o Inter diminui o placar para 2 x 1! A estatística é então atualizada para -1 para todos os jogadores em campo, com excessão do Dadinho que continua com -2 (saiu com 2 x 0), e o Balalo Eterno fica com +1 (entrou e o time fez um gol e não levou nenhum – a RBS adora esse tipo de estatística pro time deles).
Dorival, não satisfeito com a derrota parcial de 2 x 1, tenta então o tudo ou nada, e vai em busca da derrotinha. Troca Paulinho Criciúma por Adriano Gabirú, e vai prá cima delexxx!
Infelizmente, Bolívar comete a sua trigésima quinta falta no segundo tempo, e leva o vermelho.
Na jogada seguinte, o Matsubara fecha a tampa do caixão: 3 x 1.
Atualizando as estatísticas:
Maizena: -2
Nei: -2
Bolívar: -1 (expulso quando tava 1 x 2)
Espíndola: -2
Fabrício: -2
Cleitão: -2
Wilson Mathias: -2
Paulinho Criciúma: -1 (substituído quando tava 1 x 2)
Caíco: -2
Dadinho: -2 (substituído quando tava 0 x 2)
Nelson: -2
Balalo: 0 (entrou e o Inter fez 1, mas tomou outro também)
Adriano Gabirú: -1 (entrou e o Inter tomou o terceiro)
Assim todos são responsáveis pelos gols tomados, independente de participação direta. Desta maneira, não há discussão. Justo ou não.
Este tipo de estatística vai ao encontro de comentários do tipo “Com D’alessandro em campo, o Inter não perde”. “Com Bolívar na zaga, é 1 x 0 contra já no começo”, “Guinazu fora é reforço”.
Dá prá dar uma customizada pro futebol, tirando mais pontos quando o cara é expulso, por exemplo. Bolívar ficaria com -2, mas aí entra no mérito de merecer ou não. No caso do Bolívar, não tem discussão. Mas outros daí só complicaria. O Arílson, em jogos contra o Flamengo que o Sidrack Marinho apitava (isto é, TODOS), já entrava em campo expulso. Daí não dá né!
Bom, taí uma idéia. Não é a ideal, mas como até hoje não apareceu a ideal, é porque é realmente muito difícil de medir.
Agora, Louis, é só tu sentar na frente do computador por uns 5 dias (dormir é para os fracos!), rever todos os gols que o Inter fez e tomou nos últimos 10 anos (prá ficar fácil), anotar as escalações, substituições, tempo da substituição e placar da substituição, e botar tudo numa tabelinha. Barbada.
Falou!
ps. Para os mais curiosos: http://en.wikipedia.org/wiki/Ice_hockey_statistics
ps2. Querem a escalação pro jogo de volta contra o Matsubara? Taí: Renato, Eroz Perez, Tonhão, Dacroce e Fabrício (não sai do time); Élton, Álvaro Búfalo, Anderson (anos 90 ou de agora??!) e Bobô; Leto e Sidmar. Técnico Celso Roth (Luigi agiu rápido).

