Há algumas semanas atrás, nosso simpático e pensante treinador, fez uso de seu conhecimento filosófico e futebolístico quando perguntado sobre o aproveitamento do jovem Yan Petter no elenco principal:
– Ele tem o perfume do gol – balbuciou Argel.
Pois bem, tentando entender o pensamento mirabolante do futuro técnico de Portugal, voltei no tempo, ou melhor, nos perfumes…
Foto: Wander Roberto/Gazeta Press
O ano é 2005, sentimento de total descrédito de um torcedor já calejado de tanto sofrer. As glórias parecem distantes, ou inexistente para alguns torcedores, porém um novo PERFUME surge no ar. Cheirava aquele creme corporal pós-banho, impossível alguém não aprecia-lo. Este cheiro muitas vezes premedita algo muito bom que está por acontecer. É um cheiro gostoso, suave, marcante… Aquele ano era assim, gostoso de assistir os jogos, embora ainda tímido, o Internacional voltava a marcar presença dentre os grandes do cenário nacional. Algo muito bom estava por vir…

PERFUME MUNDIAL.
(2006 – 2010). Impossível qualquer colorado esquecer este período de glórias. Time vitorioso, aguerrido, com um PERFUME que marcou época. Com um aroma forte, este PERFUME não era caro não, mas seu cheiro era de confiança. Com ele, poderíamos ir a qualquer lugar, que sempre seríamos lembrados. Com ele, enfrentávamos aquelas colônias caríssimas sem qualquer receio, pois seu cheiro tinha uma combinação perfeita com o suor de nossa camisa. Sim, parece estranho, mas quanto mais transpirávamos, mais longe eramos notados. Com esta estranha, porém perfeita combinação, ganhamos o mundo, viramos notícia, e todos queriam entender e imitar nossa fórmula de sucesso. Através dele, mudamos de patamar, passamos a ser mais respeitados, embora nossos vizinhos, com um PERFUME de segunda linha, invariavelmente tentassem menospreza-lo. No entanto, o final deste período nos trouxe um baque, que mudaria os anos a seguir.

TÍNHAMOS BONS ELEMENTOS, PORÉM FALTOU AQUELE ALGO MAIS. (Foto Arena)
2011-2016. Período de instabilidade, impensável para quem até então era visto como modelo de profissionalismo. O baque começou no fim do período anterior, porém o que era para ser apenas um tropeço, se tornou uma queda sem fim.
Desde então, nosso PERFUME perdeu a confiança, e os próprios consumidores começaram a desconfiar do que até então era só motivo de alegrias. Os gestores que faziam parte daquela fórmula de sucesso, resolveram voltar no tempo, regredir ao invés de investir nas essências novas que hora ou outra acabavam surgindo. Sem saber o que fazer, mudavam de lugares, numa dança de cadeiras que sempre tinha o mesmo final. Nós apostávamos a todo momento, que aquele cheiro de vitórias estava prestes a voltar, porém era só ilusão.
Passamos a ser aquele PERFUME de “grife” que é vendido no camelô. O rótulo é chique, o nome impressiona, o cheiro no momento da venda é agradável, iludi o consumidor, porém logo após isso como num passe de mágica, ele some. Como marcar presença com um PERFUME sem cheiro? Alguns chegam a dizer que ele fede, porém, acho que ainda não regredimos tanto, apenas perdemos nosso aroma. Ta certo, mais de uma vez este problema nos fez passar vergonha, humilhação, mas com aquela esperança que nunca morre, voltamos a nos levantar e procurar de novo aquele caminho perdido.
Quem sabe ele volte este ano? Como grande parte dos consumidores vou apostar mais uma vez, a chance de me iludir será grande, entretanto, que graça viver a vida sem sentir um bom e agradável PERFUME?
Saudações Coloradas…
