Esses dias um colega BVista cujo nome eu não vou dizer, conseguiu não ficar preso no apartamento de uma percanta, e aproveitou a repentina liberdade para passear em Santa Rosa.
Os colorados beirando os 40 como eu (especialmente os que viraram colorados fanáticos na infância lá pela metade dos anos 80) fazem a associação mental entre Santa Rosa e Taffarel em menos de 1 micronésimo de segundo.
A foto foi batida pela minha mãe, quando passou por lá a trabalho alguns anos atrás.
Sabe o espaço de tempo em que tu larga um peido e se dá conta de que está num ambiente onde não deveria ter largado o peido? Pois é. A associação entre Santa Rosa e Taffarel é mais rápida que este momento maciço de arrependimento.
Crescer como colorado nesta época envolve muitas lembranças que vira e mexe os veteranos do blog comentam, tipo como um badge of honor. “Eu virei colorado nos anos 80“. “Eu aguentei 3/4 da minha sala de aula composto por gremistas“. “Eu conheço a história do Império Otomano do RS“. “Eu fui campeão do grenal do século“.
Pois entre estas lembranças formadoras de caráter, tem uma que não remete a memórias tão difíceis (ainda que coloradamente essenciais).
Olhar para a escalação do Inter naquela época é saber que pelo menos, mas pelo menos mesmo, o time começava com um Goleiro. Com G maiúsculo.
Ter o Taffarel no gol era certeza de que em 99% dos casos a derrota, tão comum e doída, não viria por falha dele. Muito pelo contrário. Era como se estivessemos assistindo a dois Inters no mesmo jogo. Um era o Inter clássico dos anos 80/90, com Dadinho, Nelson e Balalo no “ataque”, e no mesmo jogo, o outro Inter, que nos enchia de orgulho com defesas sensacionais e penaltys defendidos que multiplicavam elogios país a fora. Sofríamos com os jogadores “de linha”, mas no gol estava nosso campeão sem taças.
(e para os que ignorantemente dizem que ele falhava em grenais, olha, se não fosse ele, 5 x 0 não seria tão humilhante hoje em dia).
Nossos anos de formação parecem na nossa memória uma eternidade. Não é incrível como demora para passar o tempo em que temos de 8 a 18 anos de idade? E depois tudo voa! Então por causa dessa impressão, a gente meio que se acostumou a pensar que no Inter, pelo menos, nunca teríamos problema com goleiros. Apesar da tristeza da saída do meu maior ídolo de infância (junto com Piquet) para o Parma em 1990, eu tinha uma certeza inexplicada que não teríamos problema no gol, que outro goleirão assumiria a posição. Afinal, éramos o Inter!
A história comprova(va) isso.
Os mais velhos vão lembrar o que apenas me contaram. Antes de Taffarel, tivemos desde os anos 70, nomes como Gainete, Schneider (tutor do Taffa), Manga, Benitez, Gasperin, Gilmar…. todos goleiros que se não foram os melhores do ano (e alguns foram), pelo menos passavam tranquilidade ao torcedor e ao time. Veio um depois do outro. Como não acreditar que seria assim prá sempre? Eu tinha 13 anos, pô! Era óbvio que ia ser assim prá sempre!
Só que o primeiro choque da vida real veio quando no gol colorado, em 1990 ainda, durante a Copa da Itália assumiu um tal de Maizena.
O cara não precisou nem jogar que eu já sabia que goleiro nenhum que se presa poderia se chamar Maizena.
Não preciso dizer o que aconteceu. Nem quero.
Aguentamos um bom tempo com aquilo usando a mítica camisa 1. O que que tinham na cabeça?
Depois, um tempo de tranquilidade, onde achei que tudo tinha voltado ao normal com Gato Fernandez.
Daí prá diante, sofremos com aberrações como Sérgio, Goycoechea (que na verdade era bom, mas o time era tão ruim, mas tão ruim, que não deixou memória alguma), Renato (o titular mais rápido do Beira Rio!), entre outros.
Houveram alguns lampejos com André e Renan, mas que não levaram a nada.
Então desde o Taffarel, com um breve período com Fernandez no meio, não tivemos um goleiro confiável até A Múmia Clemer. E apesar de seus defeitos e falhas (tal qual Taffarel que não era perfeito), tivemos um período relativamente tranquilo na Guardametância colorada.
Depois do Clemer, bom daí fudeu tudo. Nenhum prestou.
Até que apareceu o Alisson. Quando ninguém achava que daquela gene pool não podia sair coisa boa, fomos surpreendidos.
Só que diferente de Taffarel, do excêntrico Gato Paraguaio ou da Múmia, mal nos acostumamos a confiar no camisa 1 (ou 22), e ele está indo embora. Hoje em dia é assim. Quase que dá vontade de não deixar os melhores jogar!
E aí? E agora? Mais quantos anos até aparecer um novo camisa 1 prá nos dar confiância?
Os pragmáticos vão perguntar: “porque tu não fez só a pergunta no começo do texto e parou por ali“? Bom, porque acho que até hoje não tinha sido feito um texto contando uma breve história dos goleiros colorados dos tempos modernos! Sintam-se a vontade para fazer adições e correções.


