Reapareço aqui no BV sob a mira do canhão. Nosso chefe maior disse: ou produz ou vaza. O BV está atualizado está prometendo incrementar estatísticas e interatividade ao blog, com o uso de ferramentas de inteligência artificial inovadoras. Parabéns ao chefe por sempre empreender melhorias no BV.
No tempo que estive fora eu não parei de acompanhar o Internacional. Pelo contrário, eu até aumentei a minha frequência na arquibancada. Ano passado, só fiquei de fora de um ou dois jogos. Esse ano, por enquanto, foi apenas um que perdi.
Que bem isso me tem feito? Nenhum. Nos últimos três anos eu já oscilei entre otimista e pessimista, e agora estou numa fase realista. Como estou retomando a coluna aqui, pensei em fazer uma leitura de conjuntura, porque falar de um recorte específico de tempo me parece meio arbitrário pra quem não falou nada nos últimos dois anos.
Nota-se que nosso elenco piorou muito de uns anos pra cá. Os semifinalistas da Libertadores eram Rochet; Hugo Mallo; Vitão; Mercado; Renê; Johnny; Aránguiz; Maurício; Alan Patrick; Wanderson e Enner Valência.
Johnny hoje é semifinalista de Champions League. Quatro jogadores desse time eram de Copa do Mundo: Rochet, Mercado, Aránguiz e Enner Valência. Maurício e Vitão hoje estão jogando nos melhores times do país (Palmeiras e Flamengo).
Eu não vou completar essa comparação colocando aqui a nossa escalação atual porque, primeiro, não existe um time consolidado, e segundo, não quero deixar ninguém mais deprimido.
O que aconteceu daquele dia até hoje? Vendemos os anéis para mantermos os dedos. E esses dedos estão necrosando por uma infecção violenta chamada dívida financeira. Ela não amortiza. Nosso dinheiro aparentemente só serve pra rolá-la e pagar juros.
A saída clássica: precisamos usar a base, que é barata e tem potencial de virar mais dinheiro. É verdade. E usamos. Vendemos pelo menos 10 craques da base nos últimos 5 anos. Mas porque precisamos muito, acabamos vendendo barato. Todo mundo sabe do nosso desespero.
Pra comprar, acontece a mesma coisa. Todo mundo sabe que o Inter não tem zagueiro. Daí querem que paguemos 5 milhões de euros no reserva do Cruzeiro (coisa que não fizemos nessa janela do início do ano, ainda bem).
Os desafios são apavorantes. Com o time tão mal como ele está, não temos chance de aumentarmos nossas receitas com vendas, prêmios e bilheteria. E sem o aumento de receitas, não saímos do buraco.
E agora? Recuperação judicial? Fechar as portas? Pegar mais crédito? Vender o clube?
Nos cinco anos de Barcellos, parece que a coisa andou meio de lado. No campo, o time foi se superando em desastres. Fora dele, só conseguimos perceber a coisa indo de mal a pior, tirando alguns acertos pontuais: o contrato com a LFU, a reforma em andamento do Gigantinho.
Mas agora, com a vinda do Fabinho e Abel, parece que temos duas pessoas que entendem de futebol e tem as melhores intenções para nós.
Se isso vai dar certo, não tenho a resposta. Gostaria que tivéssemos mais informações internas para entender realmente porque a coisa foi piorando. Mas da porta pra fora, o que percebemos é a posição do Internacional se cristalizando em um patamar bem abaixo do que estávamos acostumados.
Depois da Copa do Mundo, um novo momento se apresenta: teremos uma janela de transferências e possivelmente o contrato com patrocinador master vai ser celebrado. Talvez seja um prazo muito pequeno pro Barcellos salvar sua reputação e seu mandato, mas me parece que a terceirização profissional que já foi feita até aqui (o Barcellos basicamente não aparece mais), é um caminho correto. Resta saber se as outras áreas do clube também passarão por esse esforço, e se isso vai se refletir no campo.