O desânimo não é apenas com o resultado, ou, como uma vitória projetada, a posição que estaríamos na tabela, e tranquilidade para os demais jogos, já que enfrentávamos o lanterna do campeonato.
O desânimo maior é que retomamos o que parecia abandonado nos últimos jogos, de pressionar, criar chances, errar gols feitos, tomar decisões equivocadas na frente do gol e levar gols em escapadas aleatórias, por falhas individuais gritantes.
O primeiro gol é uma falha absurda de Anthoni, que estava dentro do gol e não posicionado para defender. Não é um goleiro confiável, e nem confia em si próprio, e goleiro sem confiança não pode jogar. Ou testa o guri mais novo, ou compra outro com urgência, e Anthoni deve procurar clube onde possa recomeçar. É um goleiro com recursos, já mostrou isso, mas sem confiança, não pode ocupar a posição.
Rafael Mallman, grande participante do blog, sempre chama minha atenção quando falo bem do Mercado, mas Mercado é o único zagueiro que temos, e quando não joga, os outros ficam perdidos, sem saber se posicionar. Mercado interceptou, senão todas, a maioria das bolas alçadas no grenal. Ontem, nossos dois zagueiros perderam quase todas as disputas aéreas, mesmo estando atrás dos atacantes, foi lamentável.
Embora o meio marcador tenha se revigorado com Villarga, não dá pra esperar que marque um time todo, principalmente quando o time se projeta para frente e AlanPa, arrisca um passe forçado para Vitinho no meio-campo, surgindo o segundo gol.
O desânimo também vem quando o time fica estúpido depois que toma gol, já que não temos capitão que fale com o time, e serve apenas para dar bronca em guris quando erram. O time vinha jogando direitinho até tomar o gol, depois, foi um deus-nos-acuda de erros de passes, afobação, falta de domínio de bola, etc… .
O ataque segue sendo lastimável. Creio que Borré tem uma conclusão ao gol, de cabeça, quase uma atrasada. Alerrandro nenhuma. Vitinho errou gol e ainda tomou decisão errada quase dentro da pequena área, Allex, de boa atuação, errou um, e até Bruno Gomes perdeu, mas nossos centroavantes sequer perdem gols.
Carbonero, no abafa, faz dois cruzamentos no vazio, corretos, na frente, para que os atacantes cheguem, mas ninguém chega; nossos centroavantes nunca alcançam a bola, e ficam esperando que ela chegue nos pés, sem goleiro.
Creio que trocamos passes uma 7 ou 8 vezes na frente da área, e ninguém chutou. Villarga chutou, Vitor Gabriel podemos dizer que chutou, e acho que Vitinho chutou, mais Paulinho, e creio que apenas um desses chutes chegou ao gol, o que, se não me engano, representa que o bom goleiro Valter fez apenas uma ou duas defesas no jogo, de chutes, e das três ou duas que foram entre as traves, temos um gol. Aquele ranço do time do ano passado, de não concluir, e que parecia ter sido superado, retornou, e aí o desânimo aparece.
O que animou apenas foi ver Alan Patrick vaiado. Já era hora, ou acorda e resolve jogar, ou sai do time e leva sua panela junto. Nossas vitórias foram sem ele e já falo a muito tempo que precisamos de um modelo de jogo sem um 10 clássico. Funcionou nas vitórias.
O caminho de Pezzolano é tortuoso, tem que fazer escolhas, e não tem zagueiros. Se mantiver suas escolhas por um time menos competitivo e ativo, seguirá cavando sua demissão. As escolhas, dentro de um vestiário, nunca são fáceis; várias variáveis envolvendo panelas, empresários, e até direção; mas Pezzolano tem que escolher, e rápido, para qual lado vai; esse equilíbrio que vem tentando já mostrou que não funcionou.